NOTA #2 (11/03/17) PR

Ao que tudo indica, caminhamos lentamente para a destruição. A nossa destruição, e logo, de tudo o que existe, pois não há nada que exista fora do pensamento. O que está para além disso é menos que nada.
Ora, mas não estamos na era do progresso? Não disseram que o desenvolvimento tecnológico e econômico era a coroação do progresso humanitário? Essa é uma promessa velha que ressoa desde o séc. XVIII. As Revoluções Burguesas (Industrial, Francesa) impulsionaram toda uma lógica de desenvolvimentismo acumulacionista que supostamente engatilharia uma ética humanitarista e solidária absoluta. E de certa forma até conseguiram o resultado pretendido, mas o custo foi esvaziar toda essa cadeia de significantes e perverter todos os seus significados.
O desenvolvimento tecnológico, das relações de produção, dos meios de produção existe, de fato. O problema é que desenvolvimento não tem nada a ver com uma conceituação positiva, a não ser num sentido daquilo que desloca-se como aparecimento. Desenvolvimento é evolução, o que também nada a ver tem com um sentido positivo – num sentido de algo que é bom, benéfico ou melhor – mas apenas representa o movimento de um ser que transpõe a forma e conteúdo daquilo que era. Isso quer dizer apenas que uma coisa que era uma coisa se tornou outra coisa. Melhor, pior, bom, ruim…essas são categorias de um juízo moral de valor que nada tem a ver com a questão. Aliás, apenas mistifica o fenômeno e atrapalha sua devida reflexão como conceito.
Meus caros, o único desenvolvimento que podemos assistir agora é o desenvolvimento para a morte. Para a uma destruição cataclismática. Essa é uma certeza histórica, um evento que se tornou inevitável, pois há tempos passamos do ponto-limite de retorno. O desenvolvimento tecnológico, a lógica de acumulação, o agravamento das desigualdades sociais, as crises econômicas e políticas, a iminência de uma catástrofe ambiental: estes fenômenos estão todos interligados como causas e efeitos entre si e enfileiram-se uns aos outros como encadeamentos de uma necessidade ontológica.
Mas então é isso? Não podemos fazer mais nada?
Sim e não.
Há uma sobredeterminação – num sentido althusseriano – que, em última instância, parece sempre direcionar o movimento histórico para um certo deslocamento-tendência. A ausência do futuro é, pois, uma certeza história “muito provável”. Mas a História sempre comporta um interseccionamento das contingências, acontecimentos “imprevisíveis”, inesperados, que podem descontinuar essa certeza histórica.
Acredito que nos momentos mais críticos a contingência pode imprimir uma ruptura violenta com as tendências histórias e atualmente vivemos esses tempos críticos. Se há medo, é porque há esperança. E se há ou pode haver um futuro, ele só poderá ser comum. A contingência da sobrevinda de uma Ideia do comum é uma certeza histórica necessária.
É no comum que pode haver futuro, ou não haverá futuro de forma alguma.

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