NOTA #2 [12/02/2015] (SP)

Existe uma ligação direta entre a imagem do “judeu” para a fantasia ideológica nazista e o fetiche na psicanalise. Como aponta Zizek, a verdadeira crítica a ideologia anti-semita não é “os judeus não são realmente assim” ( o que possui o inconveniente de sustentar uma contrapartida de “como os judeus realmente seriam”), mas “a idéia anti-semita do judeu não tem nada a ver com os judeus: a imagem ideológica do judeu é uma maneira de costurar a incoerência de nosso próprio sistema ideológico.”

Desta forma, o importante não é o “judeu” em si, mas o modo como este é fetichizado para que através de sua figura se oculte o antagonismo inerente ao sistema social.

 Com explica Zizek, o fetiche “é um tipo de avesso do sintoma. Ou seja, o sintoma é a exceção que perturba a superfície da falsa aparência, o ponto em que a Outra cena recalcada irrompe, enquanto o fetiche é a encarnação da mentira que nos permite sustentar a verdade insuportável”.

 Assim, quando Zizek diz que em vão tentamos sair da fantasia ideológica, devemos perceber como a figura do “judeu” cria justamente uma exceção (e, na medida ainda que toda Universalidade necessita de uma exceção fundadora) que dá consistência ao universo simbólico do sujeito, permitindo que um objeto-fetiche venha no lugar do Real e oculte a fatal no Outro.

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