Nota #2 [13/08/2013]

Nada melhor do que esse momento atual pelo qual estamos passando, de discussão/ reformulação do nosso projeto e, ao mesmo tempo, de passagem de um texto do Zizek para um texto do Badiou, para definir o que é o CEII. O que quero dizer é que não estamos vivendo a mera justaposição de duas atividades distintas e apartadas, uma institucional e outra intelectual, onde cada uma teria suas regras e exigências próprias. Ou mesmo onde uma poderia sobrepor-se a outra e impor assim a sua direção. Nem paralelismo, nem primado de uma atividade sobre a outra. De um ponto de vista analítico, temos de um lado as questões institucionais que nos acossam hoje – internacionalização e provável financiamento – exigindo que reformulemos o nosso projeto, e de outro, questões intelectuais que neste momento não são apenas de ordem interpretativa ou de exegese, mas também de ordem estrutural na medida em que começamos a vislumbrar a diferença entre as orientações badiouiana e zizekiana. No entanto, de um ponto de vista topológico – fazendo valer o termo geométrico, círculo, que nos nomeia, o qual é um operador que delimita as propriedades do nosso espaço – não há uma delimitação espacial separando as nossas questões institucionais das nossas interrogações intelectuais. Estas últimas não fazem parte exclusivamente de nosso funcionamento interno enquanto as primeiras dizem respeito tão somente ao nosso funcionamento externo. O círculo desenha o nosso espaço, mas este último não se deixa dividir em espaço interno e externo.

A nossa problemática institucional e intelectual na verdade é a mesma e consiste na relação entre idéia e ideologia. Analisando o nosso projeto tal como ele fora formulado sem nenhuma revisão percebemos que ele parte da orientação badiouiana a respeito Idéia da qual extraímos nossa premissa fundamental, que vai desde o engajamento com o que não existe (a Idéia) até a distinção entre voto simples e voto com conhecimento (distinção entre saber e verdade/ situação e evento), enquanto no final recorre à orientação zizekiana a respeito da ideologia através do que chamamos política do conhecimento. Formalizando esse percurso podemos dizer que a relação entre idéia e ideologia é colocada da seguinte forma: Há Idéia não sem ideologia (Badiou não sem Zizek). Pensando agora na passagem que estamos realizando do texto do Zizek para o texto do Badiou, tendo em mente nossas elaborações nos encontros e nas notas, fizemos o caminho inverso: partimos da análise zizekiana sobre a ideologia como uma espécie de momento negativo enquanto a leitura badiouiana de São Paulo parece nos fornecer uma proposta positiva de engajamento e militância capaz de superar a política do conhecimento. Nesse caso, a relação entre idéia e ideologia se inverte de modo que ela pode ser formulada assim: Há ideologia não sem idéia (Zizek não sem Badiou).

A minha intuição é de que o círculo também desenha essa relação entre idéia e ideologia e que as duas modalidades – badiouiana e zizekina – dessa relação, assim como nossas atividades institucionais e intelectuais, também não se deixam dividir em duas partes. Uma pesquisa que podemos encampar ao longo do nosso percurso, conforme formos ganhando mais clareza sobre a Idéia e a ideologia, concerne à topologia apropriada a essa relação entre Idéia e ideologia.

 

 

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