Nota #2 [14/05/2013]

Inicialmente, falou-se das distinções entre Gramsci e Lênin. Para Lênin, as massas por si só não são capazes de se organizarem sozinhas e realizarem uma revolução, elas deveriam ser, portanto, organizadas por indivíduos que se encontram “fora” das massas – os intelectuais. Para Gramsci, a organização da massa pode ser produzida de dentro da própria massa por meio dos intelectuais orgânicos que estão inseridos na mesma. No pensamento gramsciniano, a via explosiva (que se refere à utilizada na Revolução Russa) funcionaria apenas em países com características “orientais”, enquanto nos locais com características “ocidentais” seria preciso que o povo fosse instruído de modo a possibilitar uma revolução, em vez de apenas organizar as massas do modo como foi feito na Revolução Bolchevique.
Contudo, parece-me que as duas ideias poderiam subsistir. Acredito que a figura de um líder (intelectual) ou de um partido liderando a revolução seja importante, pois nós não sabemos o que realmente desejamos, assim como a massa ou o povo. Entretanto, acho que os intelectuais orgânicos possuem um papel importante na formação da massa, principalmente no que diz respeito à “conscientização” desta, o que acredito que seja extremamente importante.
A meu ver, a validade de ambas as teorias seriam questionadas de certo modo por Zizek. Se levarmos em conta a forma como a ideologia opera hoje em dia, um intelectual (orgânico ou não) saber o que é necessário (A organização das massas e a revolução, por exemplo) e como a estrutura do capitalismo funciona não é o suficiente. Atualmente, temos que lidar com a forma de cinismo que está presente hoje em dia; temos que criar novas estratégias para enfrentar o “eu sei muito bem, mas ainda assim”.

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