NOTA #2 [15/01/2015] (SP)

Seria Chuang-Tsé uma borboleta?

Existiu um homem chamado Chuang-Tsé. Ele é uma pessoa real, mas que sonhava ser uma borboleta. Também existiu uma borboleta que havia sonhado ser Chuang-Tse. Em estado de vigília, Chuang-Tse pode pensar, consigo mesmo, que sonhou ser uma borboleta enquanto dormia. Mas, durante seu sono, ao ser uma borboleta, Chuang-Tse não podia perguntar se, quando acordado, ele era uma borboleta que sonhou ser Chuang-Tse. Chuang-Tse sonhou seruma borboleta e, ao acordar, perguntou: como ele sabia que não era uma borboleta, naquele exato momento, sonhando ser Chuang-Tse?

À primeira vista, aponta Zizek, o exemplo trata de uma “uma simples inversão simétrica da chamada perspectiva normal comum”, pois a pergunta só é possível quando Chuang-Tse está acordado, ou seja, a ilusão não pode ser simétrica, ela não pode ter dois sentidos iguais. Para Zizek, se quisermos entendermos como opera esse “problema”, devemos partir de Lacan, isto é, da tese lacaniana de que “é somente no sonho que chegamos perto do verdadeiro despertar — isto é, do Real de nosso desejo”. Para Lacan, o verdadeiro “esteio” do conceito de “realidade” não é a fantasia, pois, afirma Zizek, a vida não é apenas um sonho e nem a realidade é apenas uma ilusão. Segundo o autor, essa alusão é muito difundida em histórias de ficção cientifica e em pinturas.

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