NOTA #2 [17/07/2018] (RJ I)

O contexto polêmico dessa estratégia é, como sempre, uma luta sobre/em duas frentes/dois frontes. De uma parte, é preciso tentar uma crítica radical do dispositivo onto-teológico, longamente cúmplice das religiões, que salva as verdades ao preço de uma absoluta transcendência do Um, subsumindo as multiplicidades finitas sob a autoridade formal do Um-infinito, frequentemente chamado/nomeado “Deus”. Essa crítica supõe que, no despertar de Canto [dans le sillage de Cantor], separa-se o infinito do Um, colocando que tudo aquilo que é não pode ser mais que na forma de um múltiplo sem-um. Isso feito, não se concederá – é a segunda frente/segundo fronte – que devemos desabsolutizar todas as formas do múltiplo, assim separadas do Um. Não se sacrificará o absoluto das verdades em benefício de um relativismo, a mais freqüente linguageira [langagier] ou cultural, cujo ceticismo, que é de sua essência, esconde-se por detrás uma espécie [sorte] de democratismo vazio do conhecimento e da ação.

Trata-se, então, em definitivo, de opor uma orientação de pensamento genérico, por aquela sob certas condições das multiplicidades [pág.14] existentes que podem ter um valor universal, bem como a uma orientação transcendente, por aquela existe uma garantia universal na forma do Um, que eu a chamei o materialismo democrático, por este, a universalidade é uma isca.

 

Alain Badiou. A imanência das verdades (Ser e Evento III), 2018, p. 13-14. tradução rápida CEII.

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