NOTA #2 [17/10/2017] (RJ I)

Nos últimos dois anos, uma das razões pelas quais não participei mais assiduamente do ceii foi o fato de ter me tornado um dos diretores do Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II. O mandato está chegando ao fim e, perrengues a parte, filho e tese de doutorado nascendo no meio do mandato, não me arrependo de estar participando da diretoria do SINDSCOPE durante esses dois anos, como militante do Pela Base. Pelo contrário: é motivo de muita honra e orgulho estar na pasta de Formação Política e Relações Intersindicais e ajudar a construir um sindicato classista, de luta e comprometido com a educação, tanto por representar trabalhadores dessa área, quanto por se comprometer com a formação política e humana da sua base, aproveitando para isso os conhecimentos e capacidades dessa mesma base, como é preciso.

Prova disso são os vários eventos que aconteceram nesses dois anos, dentre os quais destaco o Seminário 100 Anos da Revolução Russa, evento que durou essa semana inteira e contou com apresentação de trabalhos de docentes, técnicos, estudantes e ex-alunos do Colégio Pedro II. O evento foi organizado através do GT da pasta de Formação Política e Relações Intersindicais, com apoio fundamental e indispensável dos companheiros da base e da diretoria, a começar pela pasta de Comunicação e pela Secretaria-Geral. Prova disso são os primeiros passos da Escola de Formação do SINDSCOPE, que já tem uma página própria com cursos oferecidos por nossos sindicalizados e que está sempre aberta tanto a quem quiser solicitar um curso, quanto a quem quiser oferecer um curso (https://escoladeformacaodosindscope.wordpress.com/). Isso para ficar só no que diz respeito à pasta de Formação Política e Relações Intersindicais — a gestão como um todo fez muito, muito mais.

Apesar de tudo isso, é difícil evitar a sensação de que poderia (poderíamos) ter feito ainda mais e de que houve erros que poderiam ser evitados. Mas, para minha própria saúde e para a saúde da luta, é preciso não cair na armadilha superegóica de remoer a culpa pelo que não foi; é preciso transformar a necessária autocrítica em impulso para o que há de vir. De um jeito ou de outro, esses anos de luta sindical dentro e fora da diretoria só fizeram reforçar em mim a compreensão de que, estejamos mais próximos ou mais distantes da luta política em geral e da sindical em particular, a luta não é dos outros, é sempre nossa; o sindicato (assim como, quem sabe, o inferno e o céu…) não são os outros, mas nós mesmos, enquanto coletivo. Em suma, esses anos tenderam a reforçar em mim as palavras de Brecht:

“Mas quem é o sindicato?
Ele fica sentado em sua casa com o telefone?
Seus pensamentos são secretos, suas decisões desconhecidas?
Quem é ele?
Você, eu, vocês, nós todos.
Ele veste a sua roupa, companheiro, e pensa com a sua cabeça.
Onde more é a casa dele, e quando você é atacado, ele luta.
Mostre-nos o caminho que devemos seguir e, nós seguiremos com você.
Mas não siga sem nós o caminho correto.
Ele é sem nós o mais errado.
Não se afaste de nós.
Podemos errar e você ter razão, portanto não se afaste de nós!
Que o caminho curto é melhor do que o longo, ninguém nega.
Mas quando alguém o conhece e não é capaz de mostrá-lo a nós,
de que serve a sua sabedoria?
Seja sábio conosco!
Não se afaste de nós!”

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