Nota #2 [18/06/2012]

Na primeira reunião do grupo debateu-se o projeto do CEII. Do conteúdo do texto, gostaria de destacar um ponto sobre o qual guardei maiores questionamentos: a diferenciação entre as duas modalidades de voto mencionadas no projeto: o voto simples e o voto por conhecimento. Pelo que foi falado na reunião, aquele primeiro tipo de voto seria o que temos mais frequentemente em nossa sociedade. Trata-se dos casos onde o indivíduo participa da disputa política apenas na urna e considera que desse modo atuou até onde era esperado, até onde os eleitores costumam se envolver. O voto, neste caso, representaria a única expressão da ação do indivíduo no processo de escolha política.

Ao contrário do voto simples, apresentou-se a ideia do voto por conhecimento – no qual o sujeito compartilha de uma gama mais ampla de informações sobre a disputa eleitoral, está mais envolvido, participativo das atividades que precedem o pleito, entre outros fatores. O ponto que gostaria de destacar se refere ao fato de que, no caso do voto por conhecimento, supõe-se que o “maior conhecimento” do sujeito o coloca numa posição diferenciada daquela do voto simples e, sendo assim, caberia então investigar maneiras de medir esse “conhecimento”, descobrir como se dá em detalhes esse processo de escolha que seria – supostamente – mais qualificado do que o primeiro caso.

As questões sobre as quais quero me debruçar se referem precisamente ao movimento de busca, de procura, de um “algo mais” que qualificaria e, portanto, diferenciaria o voto por conhecimento. Entretanto, se faz necessário perguntar: até que ponto um voto que se decide dessa ou daquela maneira pode ser tomado como diferenciado de qualquer outro se, no fim das contas, trata-se de “votos”? Não estaríamos ignorando o fato de que, dentro da democracia representativa, o voto é mesmo o máximo até onde pode chegar o eleitor comum?

Uma ideia sobre “Nota #2 [18/06/2012]

  1. Desconfio que o déficit de consciência seja inerente ao capitalismo.

    Realmente, o modelo de Estado moderno liberal democrático-representativo não dá mais conta das demandas, e me pergunto se algum dia deu conta? Basta analizarmos como se deu a formação do Estado-nação (criação de uma hegemonia em cima das diversidades culturais locais).

    Importante debatermos isto, pois estamos numa era de tranformação da democracia política, a transnacionalidade politica. Ou seja, de que vale nosso voto, se grandes decisões que nos dizem respeito são tomadas fora do âmbito estatal?

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