NOTA #2 [19/11/2015] (SP)

Quando a questão da cristalização dos lugares posta a célula de SP foi posta, mesmo que ao surgir tenha vindo com tom de denúncia, logo em seguida o próprio movimento honesto da célula de trabalhar a auto-crítica, já impôs à contra-mão vexatória um certo embaraço. Logo, as questões secundárias oriundas desse ponto, trouxeram maiores contribuições do que até a objetividade do que se traz em questão. Há sim uma implicação subjetiva, há sim muitas relações que precisam ser trabalhadas dessa cristalização. Gostaria de pensar no que haveria, enquanto hipótese, da ordem da própria alienação que surge ao pensarmos nesse ponto, pois é mister que há uma comodidade em tomar o status como dado e sustentá-lo, não necessariamente se permitindo pensar na sustentabilidade dessa situação. Nesse sentido, há um embaraço tanto de quem promove o lugar, pois constrange outros participantes de tomar partido e da mesma maneira, há o risco do outro extremo, o de certo comodismo, por também, não precisar tomar partido.
Curiosa relação esta: a de se tomar partido – pois esse partido (“que se partiu”) faz parte do que? O que se afirma ao tomar partido? O que se afirma ao não tomar? O que é se implicar? O que há de subjetivação neste cálculo? Dunker, parafraseando Freud nos diz:

“A aprendizagem é um processo paradoxal, pois, mesmo se quiséssemos parar de aprender, ainda assim não conseguiríamos. Toda nova experiência convoca o trabalho de articular o novo ao já antes sabido. Freud observou este fenômeno ao dizer que o “eu” não pode tomar algo que lhe aconteceu como algo não acontecido. Por mais dolorosa e insuportável que seja uma experiência, ela sempre deixa uma marca. Um traço que se junta com outros traços formando o que chamamos de um saber. Aprendemos tanto com nossos modelos quanto com nossos antimodelos, tanto com o que nos alegra quanto o que nos desagrada. Aprender é de certa forma ocupar, no sentido de apropriar” (DUNKER, 2015).

Acrescentaria que há também uma angústia, há algo desse afeto que não nos engana, como aponta Lacan em seu décimo seminário (LACAN, 1963), que articula a possibilidade deste traço que deixa, uma relação que alcança para além de si em suas consequências um ato verdadeiro de coragem, que pode colher para além de toda a sua estranheza, seu próprio potencial emancipatório. Pois mesmo que as coisas não acabem bem, a idéia de que elas possam, é de vital importância (ADORNO; HORKHEIMER, 2013).
Não por menos, a noção de podermos trabalhar as finanças, de poder se pagar por isso, tem sim uma implicação subjetiva importantissima – que por certo – ultrapassa de longe a situação objetiva que se está colocando. Como quando se conclamou, em reuniões passadas que “não é só o cafézinho”, a mesma lógica precisa se aplicar ao restando do mecanismo e que desse mal-estar denunciado, encontremos a coragem de seguirmos em frente em nome do propósito do coletivo e pensarmos no que é poder dissolver tal dificuldade, promovendo assim uma real, consistente, sustentável, possibilidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *