Nota #2 [21/05/2013]

Na última reunião, focamos na diferença entre fé a crença. Pelo que entendi, a fé é afirmada na primeira pessoa do singular e envolve uma dimensão performativa. Enquanto a crença é sempre atribuída a outra pessoa. A fé é um pacto simbólico ou um compromisso. Por isso os antigos judeus podiam acreditar em vários espíritos e deuses, embora tivessem fé apenas em Jeová. Em outras palavras, os judeus seguiam somente a doutrina relacionada a Jeová, e não dos outros deuses.

Tomemos como exemplo uma típica situação de natal. Os pais saem para fazer as compras num shopping qualquer e realizam toda a preparação necessária para criar um “espírito natalino” em sua casa, pois acham que seu filho acredita no papai Noel e não gostariam de desfazer sua crença. No entanto, por que eles agem como se o papai Noel existisse, embora saibam muito bem que ele é só um personagem fictício? Precisamente porque eles têm fé no papai Noel e, mesmo não acreditando diretamente, deslocaram sua crença para o seu filho.

Assim, podemos compreender melhor a exterioridade da crença e a crítica da ideia de uma contemporaneidade pós-ideológica. No primeiro caso, percebemos que a crença pode ser indireta, sendo “terceirizada” por uma pessoa ou objeto. No segundo caso, podemos prosseguir desta maneira: todos nós sabemos muito bem que o dinheiro é apenas uma nota de papel que representa algo criado pelo homem, que os políticos são corruptos etc., mas agimos como se não soubéssemos. É no agir que reside a ideologia, não no saber.

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