NOTA #2 [22/04/2014] (SP)

Forma do dinheiro e do valor  – os economistas da época de Marx confundiam valor e a forma do valor (colocados como a mesma coisa – Marx busca justamente não só mostrar que não é assim, como apontar o duplo caráter do valor).

Forma relativa do valor – relação de dois polos de expressão do valor: forma relativa e forma equivalente. Há uma relação onde uma é passiva e a outra ativa (uma afeta a outra). A equivalência não é na troca, mas colocada na relação entre as mercadorias (um pulo do gato! Que desemboca no tal do fetichismo da mercadoria). As mercadorias começam a criar fenômenos, gerados por conta dessa relação – em uma forma quase mágica! As coisas vão funcionando de uma maneira que parece ‘natural’ – relação com o sintoma, ‘eu faço assim, porque eu sempre fiz assim.. De repente surge, quase meio externo!’ O sintoma tomado biologicamente e a mercadoria  ‘como dada’ – há alguma coisa funcionando e operando aí… Caráter polar – oposto, mas quase como os dois lados de uma  mesma moeda.

Forma relativa do valor

Para a forma relativa do valor ser compreendida, é mister primeiro desassociar as mercadorias de seus aspectos quantitativos. É a proporção que se equiparam de duas mercadorias diferentes – o que só é possível ao passo que as duas se equiparam à um terceiro elemento. Somente como expressões de uma mesma substância, são grandezas homogenias e por isso comensuráveis – essa terceira coisa é o que faz com que as mercadorias conversem entre si. Marx vai mostrando vagarosamente como esses elementos estão sendo construídos…

A divisão do trabalho é condição necessária para a mercadoria, mas a mercadoria não é condição necessária para a divisão do trabalho – a questão da mercadoria, tem que ter o duplo caráter (valor de troca e valor de uso). Relação de trabalhos úteis vão estabelecendo também relação entre eles – quando há demanda de um trabalho, alguém faz. O fato é que tem um trabalho prévio que estabelece relação entre as pessoas e isso influencia o modo de ser das pessoas e  vai se intensificando cada vez mais, até virar um sistema mais complexo de trabalho, onde há um intercambio que foge da concretude dos trabalhos (do tecelão ao trabalho mais abstrato). Para existir a mercadoria, você necessita da abstração do trabalho – do terceiro elemento que equipara todas. A partir do passo em que necessariamente invocamos uma abstração do que antes era simples, o que está em jogo é que não estamos mais na ordem da substancia contida no trabalho, por conta do trabalho – e aí que entra o caráter duplo. A via então não é de fácil acesso, mas necessidade de regras de equivalência. A divisão social do trabalho está no acumulo desses trabalhos e como eles passam a se transformar e exprimir um novo caráter. No capitalismo, de acordo com Marx, uma sociedade produz mercadoria, logo ela passa por essa abstração e estabelece o duplo caráter da mercadoria, trabalho, etc. Eis o segredo da forma! A abstração é extrema, apagando as características humanas, ficando o calculo pelo calculo! Influencia capitalista de enxergar as coisas, como tudo pode ser matematizado, e isso não é atoa! Pois é… O pessoal se preocupa com essa questão, mas sempre caem na quantidade e pela quantidade você não problematiza a raiz do problema – qualitativamente você pode e é isso o que Marx faz. ‘Isso está velado, porque precisa estar velado, se não estivesse seria de outra forma… Até a utilidade já foi apagada, como estamos agora?!’ A divisão social do trabalho é a aglutinação do trabalho e mostra que ela passa a exprimir a complexidade desses trabalhos.

Linho e casaco, como grandezas de valor são expressão da mesma coisa. Linho = casaco são fundamentos de uma mesma equação – que não desempenham o mesmo papel qualitativamente. ‘Dentro de um polígono, há triângulos’ à expressão das substancias que se igualam. As mercadorias são trabalho humano cristalizados – dá valor, mas não da forma para esse valor e é distinta da forma física. Quando a relação é entre duas mercadorias, a coisa é diferente – o trabalho é equiparado às duas mercadorias (mesmo que sejam diferentes trabalhos, se reduzem ao trabalho humano abstrato).  Como equiparar os trabalhos? Pela abstração.

Pela produção do valor que conseguimos a abstração das coisas e chegamos à um ponto mais complexo! Decompor não só a mercadoria, mas a relação entre elas. A abstração opera sobre a mercadoria – apagando a concretude, o trabalho e isso guia para essa abstração e coloca as mercadorias no mesmo lugar – falam a mesma língua!

Não basta expressar o valor específico da mercadoria (linho por linho não dá nada!), eu preciso colocar em relação à uma outra mercadoria e coloca-las em relação uma da outra falando a mesma língua – o trabalho humano então cria valor, mas não é valor. O ponto é: esse valor que se coloca automaticamente, não é tão automático assim. O que é valor e não é valor? à Vem a ser valor, tem potencia e torna-se quando se cristaliza, materializa em uma forma específica.  Quando a gente gera uma mercadoria, ela passa a existir dentro de um conjunto e ela não pode tirar valor por ela mesma (linho pelo linho).  A mercadoria só tem valor quando está em relação à um outra mercadoria – trabalho humano abstrato estabelece essa possibilidade delas se relacionarem, ou seja, forma de equivalência.

Forma relativa é o ativo – o que determina o valor para uma outra mercadoria.

Forma de equivalente é o passivo – não determina o valor, está em relação ao outra que dita a sua medida. Operam como polos distintos, que compõe um mesmo elemento – mesma natureza (fruto do trabalho). Ex.: Linho = casaco.

O linho reconhece no casaco a alma igual à sua através do valor,  mas o casaco não pode representar valor para o linho, se não assumir aos olhos dele a figura de casaco (materialização do valor, dando ao linho uma forma de valor diferente). Um individuo A não pode reconhecer em um individuo B o aspecto de um rei, se aos olhos de A, a realeza não assume os aspectos corpóreos em B à construção social.

O corpo da mercadoria B, transforma-se no espelho do valor da mercadoria A. O que acontece também ao ser humano, que se reconhece primeiro no seu semelhante (já antecipando Lacan..!)

Espelhos: tem uma relação entre mercadoria A e B, que se relacionam entre elas para se estabelecer como valor – nessa dinâmica, uma passa a expressa a outra, a partir da logica que coloca elas em pé de igualdade. A mercadoria A se vê como mercadoria, ao estar relacionada com B, assim como Paulo se vê Paulo por causa de João à Ganha-se caráter de expressão própria da mercadoria A por causa da B, relação de equivalência profunda. Grande passo aqui, para entender o fetiche da mercadoria.

! Importante pensar a ação política e como que de fato propor espaços como CEII tem haver com isso – e como podemos nos apropriar desses espaços, deixando claro suas posições.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *