NOTA #2 [23/05/2017] (RJ I)

Sobre o evento de ontem em Copa, vou tentar contribuir com alguma coisa de cara aqui. É mais pragmático, mas acho que pode ser mais eficiente e também ajudar a entendermos como alguns debates são levados à exaustão sem necessidade e, em alguns casos, sem gerar solução alguma.
Pontos positivos: Visbilidade na mídia. Bom público (principalmente considerando o dia chuvoso). Foi em domingo (dia de lazer para muitos trabalhadores). Em Copacabana, local de razoável acesso a todos da cidade e cartão postal do país.
Ponto negativo: suposto elitismo do evento (não fui ao evento, por isso o “suposto”, mas como este é ponto da polêmica, então vamos considerar). Elitismo do local (Por que não Madureira ou Campo Grande?) e dos artistas (Por que não Maiara e Maraisa, dentre outros?).
Como podemos resolver este ponto negativo?
Não gosto muito da ideia do evento ser realizado em outro bairro, porque parte dos pontos positivos seria perdidos. Pode-se até pensar em reproduzir o evento em outros bairros no futuro, embora seja saída seja muito custosa. Nesse sentido, acho que seria mais proveitoso contribuir para a mobilização e deslocamento de pessoas para a praia de Copa. Além disso, contribuiria para ampliar o acesso a este aparelho de lazer, atacando o problema de turismo regional que é grave na cidade. Morei em alguns bairros do subúrbio e da baixada e tenho a impressão que seria muito bem recebida uma proposta dessa. Por fim, teria como subproduto um choque cultural entre os estilos de vida de pobres e a classe média, que acredito que seria proveitoso para a esquerda.
Mudar os artistas significaria mudar completamente o caráter do evento, até porque, se não me engano, foram os próprios artistas que tiveram a iniciativa. Nesse sentido, a escolha dos artistas poderia ser contornada com algumas modificações mais pontuais. Por exemplo, Caetanos Veloso tem contato com muitos artistas da industria cultural. Se conseguisse chamar um ou dois para “dar” uma palhinha, talvez já fosse suficiente para tornar a atividade mais popular. Além disso, um maior cuidado na list de músicas, dando preferência a algumas mais populares (Como “Sozinho”, dentre outros). Além disso, tornando o evento mais popular, isso poderia afungentar alguns artistas que foram ao evento. Nesse sentido, não descarto o uso de uma área vip. Mais importante é usar a imagem desses artistas para influenciar a mídia e mobilizar para o próprio evento (mas área vip para os artistas, tá? Lugar de político é na rua).
Sendo assim, o principal gargalo seria a mobilização e o deslocamento para o evento. Como resolver?
* NO planejameno do evento: sindicatos, partidos e demais instituições interessadas se juntom e fazem uma reunião para montar um Programa de Mobilização Popular (PMP) para o evento, tirando uma coordenação. A coordenadação do PMP prepara um projeto e apresenta os custos para as instutições.
* De preferência um mês antes do evento: a coordenação do PMP, tendo o projeto aprovado e os recursos liberados, inicia o processo de mobilização popular. Como seria esse processo? Abaixo segue uma tentativa de desenho baseado nos princípios da ação communitária.
– Seleção de líderes comunitários de diferentes partes da cidade para trabalhar na ação de mobilização e deslocamento. Encontro com esses líderes explicando como vai ser realiazaçõa o planejamento.
– Como é esse planejamento? O líder comunitário tem uma semana para levantar uma lista de no mínimo 30 e máximo de 70 pessoas interessadas em participar do evento (mas realizando lsita de reservada, pois, dependendo do caso, a coordenação do PMP pode deslocar recursos para dar conta deste excedente). Verifica na sua localidade quem poderia fazer os lanches dos participantes, com custeio de material da organização do evento (dando alimentação para os participantes e valorizando a economia local, além de outros ganhos cmo ganho de organização, de imagem para as instituições etc). Uma semana antes check list de interessados e mobilização mais atenta. NO dia evento, na parte da manhã check in de quem realmente vai e substituição de possíveis desistências. Coordenação de toda a logística de ida, estadia na praia e retorno. Encontro com os líderes comunitários uma semana depois, fazendo avalaição dos pontos positivos e negativos, e, sem deixar “cair a bola”, organizar os líderes para tarefas futuras, ou mesmo incorporá-los em alguma instituição/frente.
– Como deve ser feito o deslocamentos? Há duas formas de deslocamento de massa: aluguel de ônibus ou financiamento das passagens. A primeira alternativa é mais ideal, embora seja mais custosa. COm o aluguel de ônibus temos mais chance de atender melhor um público mais diversificado (idosos, deficientes etc), sendo também mais agregador socialmente (vem e voltam todos os juntos conversando sobre o evento, podemos pensar em pequenas palestras sobre conjuntura na ida etc). Por fim, facilita muito a logística para o líder comunitário. A segunda saída tem como benefício ser mais barata.
QUal o impacto? Supondo que a coordenação da PMP tenha contratado 50 líderes com capacidade máxima de mobilização de 70 pessoas, teríamos a mobilização de 3500 pessoas. Em um evento de 100 mil pessoas isso seria 3,5% do total. Parece pouco, mas é alguma coisa. Além disso, o imapcto no imagináruio local com uma iniciativa dessa pode ser muito proveitoso no futuro. Por fim, os ganhos de organização seriam incalculáveis. Diante da imensa dificuldade da esquerda atual, qualquer atividade que fazemos deve servir de laboratório para nos reinventarmos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *