Nota #2 [25/03/2014] (RJ I)

Pode haver uma Memória da História? Uma memória historiográfica, sim. Digo isso acreditando que a memória, ineliminavelmente, é propriedade do indivíduo que lembra. Deve haver entendimento formal que diferencie isso, claro. Mas nessa linha, diria que uma Memória da História pressuporia uma Consciência da História [um materialista não suportaria isso]. Mas e uma memória historiográfica? É possível. Acredito que ela pode informar aquilo que viu e lembra, ecoando o que registrou. Quando ampliada, essa memória é capaz de aumentar a visão do que passou. Como numa conversa, acalorada ou não, serve para que o ponto de vista de um seja informado do ponto de vista do outro. Nesse particular, evidente, é procedimento que enriquece.

 

Mas a política é redutível a memória? Quanto mais ampla for a memória sobre o que houve no passado maior será nossa memória sobre o que houve no passado.

Considerando que a memória é propriedade de quem lembra, pode permanecer exatamente em seu mesmo estado argumentando que “não se lembra disso”. Quem informa sua memória para justificar determinada ação, pode muito bem manter-se nela ainda que confrontado com outra memória, outro registro, outro conhecimento sobre o que houve: bastar dizer “não me lembro disso assim, meu ponto de vista é outro”.

“(…) Não tenho dúvida de que seja preciso lembrar-se da exterminação dos judeus ou dos resistentes. Mas constato que um maníaco neonazista tem uma memória colecionadora do período que ele venera e que, ao se lembrar com precisão das atrocidades nazistas, se delicia (…) a ‘memória’ não resolve questão alguma. Há sempre um momento em que o que importa é declarar, em seu próprio nome, que o aconteceu, aconteceu (…)” (BADIOU, p.55, 2009)

Deve haver política, nesse sentido, para além da história.

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