NOTA #2 [28/03/2017] (RJ I)

Uma coisa que me chamou a atenção e alguns de nós sublinhamos na conversa pós-ceii convida MCP foi que a coisa parece não exatamente romper com capitalismo, mas invertê-lo, pervertê-lo ou — para usar o termo do Agamben a que o 031 recorreu — profaná-lo num elemento fundamental, o crédito, que é como que cercado mas não privatizado — é apropriado pelo comum, digamos assim, ou meio que colonizado desde baixo. E a expansão que eles pensam para si é meio que a expansão “autonomizada” e cancerígena própria ao capital. A ampliação do movimento seria uma espécie de metástase ao câncer do capitalismo, o câncer do câncer. O mesmo vale para instituições do Estado: vide o exemplo que ele deu sobre a Clínica da Família do Chapadão. Para fazer a coisa funcionar, eles não fizeram protestos ou atos, mas arrumaram um meio de entrar na gestão do posto e fazer funcionar como ele deveria — público. Essa é talvez uma diferença da relação com o capital para a relação com o Estado: no primeiro caso, é tornar comum o expressamente privado, desviando sulcos mínimos da principal corrente da coisa, até que a corrente sinta isso e se possa fazer o enfrentamento direto, já com boa parte do poder do nosso lado (dinheiro tornado poder popular); no segundo, toma-se o público para fazê-lo ser mesmo público e, assim, comum. Pois bem, nessa mesma linha a Introdução do livro da Mariana traz umas caracterizações traz um twists de usar a língua do poder “dominante” contra o poder que são bem bacanas — e ainda trazem a questão da religião, como reino de Deus nesse mundo, para o centro da coisa (da profanação, hehehe): “O objetivo final é a comunidade, e parafraseando a ativista Inessa Lopes Barbosa: “Comunidade, para a gente, é o mesmo que Comunismo”. Portanto, comunidade para o MCP não é um eufemismo para favela, como tão costumeiramente utilizado por políticos e Organizações Não Governamentais (ONGs). Ela é a “utopia”. Comunidade é o império do Coletivo, a manifestação viva do poder popular, ou, como cantava Zé Vicente em música que é referência para o MCP: o “Reinado do povo””

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