NOTA #2 [29/04/2014] (RJ-I)

O CEII é, para mim, uma organização que se constrói através da revisão daquilo que realiza com esse fim. Ao se organizar dessa maneira depende dos autores que estuda. Não por um acaso são esses que, regradamente, temos como referência teórica e não outros porque, com essa finalidade, podemos extrair proveito desses e não de outros. Se aposta que as preocupações que carregam servem à nossa prática assim como suas reflexões servem para o exame do atual estado da política contemporânea – por isso é que servem para nossa prática. Investigamos nossas realizações e verificamos sua pertinência em relação à organização que queremos ser. Seguimos com ela em frente conforme a conclusão que se chega. Essa decisão é um procedimento prático na medida em que implica uma mudança no modo como nos organizamos e, portanto, o dispêndio de energia é evidente.

Essa prática acontece seja quando se mantém ou se transforma a organização que produzimos: há ato quando entendemos que estamos aquém do que escrevemos e o mudamos; há ato quando entendemos que o que fazemos está aquém do que escrevemos e por isso devemos nos esforçar mais; e, por fim, também existe ato quando entendemos que nada precisa ser alterado porque a “contradição” entre uma coisa e outra pode ser meramente especulativa ou da ordem da relação entre o que está disjunto e, nesse sentido, insistir nessa contradição como um impedimento pode ser modo de não realizar a organização que produzimos a despeito de seus limites.

Esses procedimentos podem ser questionados: até onde se dirigem à realidade? Penso que o CEII, existindo, está dentro dela. Essa pergunta, portanto, sempre me soa abstrata. Pode-se insistir em pensar até onde sua existência contribui para a mudança da realidade? De modo cabal não posso responder, pessoalmente, essa pergunta. Por isso é que a relação com o CEII é de engajamento. Ainda pode-se perguntar “por que se comprometer com algo que não se sabe se produzirá efeitos transformadores na realidade?”. Quem hoje é capaz de dizer em que lugar essa relação com a realidade se dá? Eu não sei. Ou melhor: talvez, em todo lugar. Sei, de todo modo, que a realidade social produzida pelo capital depende dessa relação frenética. Optar, declaratoriamente, pela mudança não é distinto de conservar essa realidade considerando o que Marx, seu crítico paradigmático, escreveu.

Acredito, sobre militância, que ela é um trabalho intensivo. Depende de paciência e determinação. São seus aspectos inelimináveis. Onde existe disposição para fazer algo, se houver desejo nessa disposição, ele precisa de intensidade. Nesse sentido, suspender o tempo é critério de efetividade e não o contrário.

Não consigo entender de outro modo.

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