NOTA #3 [01/04/2016] RJ II

Os conceitos de Evento e Real parecem ter ficado meio nebulosos na reunião.
O conceito de Evento, em Badiou, parece sempre receber uma importância grande no pensamento do autor. No entanto, acho que o Evento é na verdade qualquer momento que abre a possibilidade para um novo conjunto de possibilidades que antes não estava contido no conjunto de elementos da situação. Trata-se de uma mudança situacional que configura novas formas contingentes do acontecer.
Quando como, por exemplo, nos apaixonamos, trata-se isso de um Evento. Não há necessariamente nada de grandioso nisso para o mundo, mas há uma nova configuração da situação para o casal. Mas, como denota Badiou, o Evento deve ser declarado pelo sujeito que se constitui como suporte de verdade daquele Evento. O Evento surge então, como si, apenas depois que já aconteceu, mas somente a partir de sua declaração é que podemos verificar que aquele momento rompante é de fato um Evento.
No tocante ao Real, também guardo um pouco de dificuldade diante do nível de abstração desse conceito. Apesar disso, me parece que poderíamos simplificar o Real como aquilo que é impredicável, que não pode ser traduzido no campo da linguagem, que não pode ser apreendido por inteiro, de modo que está sempre para além do simbólico e do imaginário. O Real nunca pode ser dito pois não há linguagem que o traduza; por essa razão ele é impossível ou “não existe”.

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