Nota #3 [05/10/2012]

Segundo Slavoj Zizek, há quatro antagonismos que impedem a reprodução indefinida do capitalismo: a privatização do comum cultural, a ameaça de uma catástrofe ecológica, os desafios éticos postos pela possibilidade de manipulação genética e o apartheid social que segrega os excluídos. A aposta do autor é que o capitalismo não é capaz de solucionar esse problema. Comunismo é o nome da solução desse problema. Não é uma solução pronta a ser apresentada à sociedade. É o nome do processo de solução desse problema, que está apenas começando. Não é mais do que uma hipótese a ser seguida. A hipótese comunista, a hipótese da igualdade, a hipótese da emancipação. O comunista deve verificar essa hipótese, sendo fiel a ideia comunista e dessa forma historicizá-la. Zizek propõe uma nova empreitada revolucionária, desenvolver o comunismo ao buscarmos resolver esses quatro antagonismos do capitalismo. Comunismo é um problema a ser resolvido.

Os três primeiros antagonismos evocam o domínio do comum, mas é o quarto antagonismo, a segregação dos excluídos, o que justifica o termo comunismo, pois, para sobreviver, o capitalismo global precisará reinventar algum tipo de socialismo que resolva os três primeiros problemas sem antes ocupar-se do quarto. O antagonismo entre incluídos e excluídos é crucial, pois é sem ele os demais perdem seu gume subversivo, sendo percebidos respectivamente apenas como um problema de desenvolvimento sustentável, um complexo desafio legal a respeito da propriedade intelectual e uma questão de bioética – meras preocupações privadas que podem ser resolvidos sem que seja necessário estabelecer a universalidade do proletariado, uma vez que há excluídos. Sem a solução desse quarto antagonismo, por mais comuns que sejam as preocupações, elas continuam sendo privadas. Sendo assim, o futuro será comunista ou socialista.

Zizek é fortemente influenciado por Hegel. Sua proposta de começar do começo é nos atermos a hipótese comunista e nos deixarmos inundar pelo mesmo espírito que conduziu os comunistas de outrora. É esse espírito que precisamos reacender agora. Não devemos construir sobre os escombros das tentativas mal sucedidas, mas devemos nos animar pela inflamação daqueles que acreditavam na hipótese comunista outrora e com esse espírito provocaram eventos revolucionários.

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