Nota #3 [10/12/2012]

Nesta nota, abordarei mais os aspectos do fetichismo da mercadoria de Marx do que a análise dos sonhos de Freud, pois o último já foi discutido em minhas últimas notas. Em seu texto “Como Marx inventou o sintoma?”, Zizek descreve dois processos que ambos os autores realizam em suas respectivas análises: primeiro devemos pensar que há um segredo oculto pelo objeto, depois podemos realizar que não há um segredo oculto “por trás” da forma pela qual o objeto nos aparece, pois o segredo está na própria forma.

No caso de Marx, a suposta essência oculta da mercadoria residiria no fato de que o valor desta não reside na mera contingência do mercado, da relação entre oferta e procura, mas sim no tempo de trabalho (Acredito que se trate do tempo de trabalho socialmente necessário, mas não está explícito no texto). Em seguida, Marx afirma que, apesar de termos demonstrado que não há acidentalidade alguma na determinação dos valores das mercadorias, isso não altera de modo algum o modo como seus valores são determinados. Isso significa dizer que, mesmo que o valor de troca de uma mercadoria deveria ser, na verdade, determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário, seu valor continua a ser determinado pela contingência da oferta e da procura?

Na segunda etapa da análise da mercadoria de Marx, devemos perceber que o segredo oculto da mercadoria não é que seu valor seria determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário. O que há de verdadeiramente enigmático na mercadoria é a sua própria forma, o processo (Homólogo ao trabalho do sonho) pelo qual a mensuração do trabalho se expressa no valor da mercadoria. Em Freud, a forma que os sonhos assumem é uma forma de escapar da censura, de modo que o desejo inconsciente se manifeste de forma a não acordar o sonhador. Mas e em Marx? Por que o valor do trabalho só pode aparecer na forma-mercadoria?

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