NOTA #3 (11/03/17) PR

“Peter Sloterdijk não é um pensador do século XXI. É um pensador para o terceiro milênio. Seu ceticismo é tão acentuado que desperta em nós a alegria afirmativa e a liberdade criadora daqueles que, não acreditando em nada, sorriem rumo ao horizonte vazio de qualquer ilusão. Por isso, seu pensamento, mais do que uma reconstrução do passado, é uma arqueologia que vem do futuro mais longínquo para iluminar as camadas mais profundas do que um dia pudéramos vir a ser. Afinal, apenas um pensamento extemporâneo pode compreender futuro e passado como reversos luminosos e como a coincidentia oppositorum da mesma precária condição humana. Para mim, Platão e Nietzsche são os maiores pensadores de toda a filosofia e estão entre os maiores escritores da humanidade. Enquanto aquele foi o maior imunólogo da civilização, que conseguiu blindar o real por meio da criação da mais poderosa tecnologia eidética de que se tem notícia, este foi o primeiro a perceber que a verdade apenas se revela com a devastação sumária e a marteladas dos castelos conceituais imunológicos. Ambos representam os pontos mais elevados das esferas e das antiesferas no pensamento ocidental. Nada mais gratificante do que descobrir um pensador contemporâneo, mestre imbatível na arte do ensaio, que conseguiu propor uma temerosa e absolutamente inaudita síntese destes dois antípodas, colocando-os para dançar. Com isso, entre diversos outros achados iluminados e luminosos, Sloterdijk demonstrou que as oposições só existem para aqueles que não conseguem ouvir a música das esferas.” PETRONIO, Rodrigo. UMA ANTROPOLOGIA PARA ALÉM DO HOMEM: RELIGIÃO E HOMINIZAÇÃO NA OBRA ESFERAS DE PETER SLOTERDIJK. [dissertação de mestrado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP – 2013], p. 25.

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