NOTA #3 [11/04/2017] (RJ I)

Para falar de desejo, política e ideologia. Imaginemos uma situação: Em algum lugar na Alemanha nos anos da cortina de ferro , um cidadão da Alemanha Ocidental, diante da impossibilidade de ediquirir suas condições materiais para sua sobrevivência prefere pular o muro na esperança de que na extinta DDR teria a sua disposição, condições materiais para viver; e por outro lado um cidadão da DDR deseja pular o muro para o lado oposto para consumir mercadorias supostas a satisfazer os seus desejos.

De antemão é possível pensar que: quando não possuímos, as condições básicas materiais para viver em um lugar, buscamos em outro satisfazer tais condições. Uma vez satisfeitas essas condições, nos vemos aptos a desejar mais, ou seja, uma vez que tenho emprego, casa e comida, estou pronto a desejar chocolates ou um jeans de marca consagrada.

A partir deste quadro, podemos interpretar nossa pequena alegoria do “pular o muro” pelo viés dessa “economia do desejo” em psicanálise; o que nos levaria a crer que esta ambiguidade é dada pela própria dinâmica interna do desejo. No entanto, isto não responde a cena em questão; [caso contrário, nosso pobre amigo passaria a vida pulando muro], o que nos coloca um questionamento que seria: tentar compreender quais são os limites da psicanálise em interpretar os fenômenos políticos, ou se a teoria psicanalítica tem questões a serem propostas para estes fenômenos.

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