Nota 1# [03/09/2012]

O título “A noite dos proletários” de Jacques Rancière não deve ser lido de forma simbólica. Deve-se pensá-lo literalmente, pois parece que se trata das noites de sono perdido em que alguns proletários se dedicaram à sua emancipação intelectual. A condição do operário de opressão, de privação de liberdade, de obrigação de se exaurir vendendo sua força de trabalho será expressa pelos próprios operários. Alguns terão sucesso econômico, outros morrerão e a maioria continuará no anonimato das massas.

Entretanto, podemos questionar: de que valem essas histórias? Qual é a sua importância para a luta dos oprimidos pela sua liberdade? Talvez a resposta das massas seja suficiente para provar: um desses personagens foi escolhido como representante para comunicar as demandas operárias aos burgueses. Isso não significa somente que este falava melhor que os outros, mas também que os trabalhadores “devem ser tratados como seres a quem seriam devidas várias vidas”.

Rancière pretende investigar o proletário diferentemente dos marxistas anteriores. Se dermos voz àqueles que não estariam destinados a pensar, podemos descobrir algo diferente do que os eruditos pensam.

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