NOTA #3 [12/06/2018] (RJ I)

O que fazem os “psis”, trabalhadores da saúde mental, quando suportam a miséria do mundo, quando protestam contra ela? Eles só fazem, diz Lacan em Televisão, reforçar o discurso que os condiciona, ou seja, o discurso dominante. Assim, suportar, protestar, e até mesmo denunciar não é a saída do discurso capitalista, que é a versão moderna do discurso do mestre. Como se poderá dar a atuação política do psicanalista nesse domínio? Aturando no sentido de mostrar a ilusão que consiste em liberar o desejo das amarras da lei, como todas as terapias libertadoras prometem. Brigar e protestar contra o S1 do poder, longe de abalá-lo, só o reforça em sua posição de dominação e mestria. O psicanalista nas instituições deve fazer circular o discurso do analista, circular dentre os outros discursos que negam a causa do desejo, como, por exemplo, os tratamentos que visam à adaptação do sujeito à sociedade em detrimento de sua singularidade ou que a rejeitam, como tratamento das neurociências que não levam em consideração o sujeito desejante e seus sintomas, por onde manifesta sua verdade. A psicanálise nos ensina que há o impossível no coletivo – pois os sujeitos a partir de sua particularidade de gozo se contam um a um.

esse é o trecho de um livro de um psicanalista brasileiro bem popular. Não sei o que pensar sobre isso… se alguém puder comentar…

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