NOTA #3 [13/06/2017] (RJ I)

No seriado de TV “The Leftovers” , 2% da população mundial desaparece subitamente e sem explicações, em um evento que guarda certas semelhanças com o conceito cristão de arrebatamento.

Os remanescentes são então confrontados a conviver com uma dupla perda: a de parentes, conhecidos e/ou pessoas próximas que sumiram nessa partida coletiva, como também a perda de referencial sobre a realidade, uma vez que um evento totalmente imprevisível e estarrecedor como este aconteceu, o modo como a experimentam se modifica profundamente.

Este tema me fez pensar em outros processos de luto e algumas dúvidas surgiram.

Como se processa o luto em casos de desaparecimentos de entes-queridos? Ele ocorre? É preciso que alguma espécie de cerimônia ou gesto simbólico – como por exemplo um processo de declaração de ausência – seja realizada para simbolizar a aceitação desta perda? E, sendo este o caso, seria normal que  tal gesto fosse rejeitado, posto que representará justamente a aceitação de que a pessoa foi perdida?

Outra pergunta que me ocorreu foi acerca de pacientes terminais. Pode-se falar em luto de si, em casos como este? E em luto antecipado, por parte da família?

Ainda: é possível pensar na perda de alguém querido sem que haja processo de luto ou o luto é necessário e sua ausência seria preocupante – pois poderia significar repressão da perda, passível de acarretar problemas emocionais futuros – ou então um indício de que de fato não havia investimento afetivo naquela pessoa?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *