NOTA #3 [14/01/2016] (SP)

Na última reunião fomos interrompidos por conta de explosões, são os tempos atuais dentro das condições atuais de SP, a polícia fazendo o que é esperado dela enquanto este braço do Estado, agindo enquanto AIE (Althusser, 1996) e então, os manifestantes estavam lá, se manifestando. Mas o que estava sendo manifestado lá? Como hoje se consegue separar legitimidade em uma reinvindicação de uma possibilidade de um flashmob pseudo social (se é que algo assim existe…)? Entretanto, se as condições atuais e o espírito do tempo nos permitem colocar uma questão assim, logo, há muita coisa em jogo. As operações ideológicas apenas se intensificaram. Os órgãos de mídia televisiva perpetuam a lógica da dominação em nome da perpetuação de sua própria existência e o ciclo vicioso do controle ideológico apenas cumpre sua própria agenda. A política hoje tem todas as instruções necessárias, tem o treinamento necessário para dispersar, para dissipar e desmantelar uma manifestação. Os movimentos sociais ao seguirem a cartilha dos anos 60, 70, 80 e 90 do manifestar, não tem condições de escaparem do óbvio desfecho desses encontros em massa: serão rechaçados pelo estado. E ao leitor que leu isto, já começou a se coçar com os pensamentos: “Ih! Que papo mais reaça!” ou aquele niilista mais razo “Então, devo desistir de tudo e ver uma tevêzinha” – Não! Não é este o ponto dessa reflexão, o que está sendo posto em questão aqui é para além do pensamento binário que habitualmente é aplicado para pensar a política. Há um problema complexo no cenário atual, com camadas de questões que precisam ser pensadas: 1- Como operar com essa fauna ideológica que hoje temos no cenário político? 2 – Como pensar as relações entre movimentos sociais e partidos políticos? 3 – Como pensar o sucesso de um movimento social? 4 – Como pensar a derrota de um pensamento político? 5 – Haveria um modo diferente para pensar a reinvindicação política?
E é justamente em nome disto que a reflexão se dirige, as perguntas estão sendo postas em nome daquilo que está é claro como cristal nas manifestações atuais e que, Stalin já sabia em seus tempos de Koba, este modo de manifestar não atinge nenhuma das camadas das quais deveria. Não implica em mudança nem para as camadas menos privilegiadas e pobres, que apenas vêem os malefícios de não conseguirem voltar para casa depois de um dia infernal de trabalho e menos ainda, aos detentores dos meios de produção que estão satisfeitos em seus escritórios, em seus carros/helicópteros e simplesmente, não se afetam com as raves populares. Obviamente que o pensamento crítico e a insatisfação são necessárias, mas é mais óbvio ainda que o ato de ir de casa para apanhar da polícia, não está resultando em nada. Enquanto o Movimento Passe Livre brinca de satisfazer a esquerda ovo frito e os uspianos que leram muito Gramsci, talvez pudessem colocar um pouco em perspectiva se as suas táticas estão realmente mobilizando as frentes da qual a estratégia versa. O se fazer manifestar precisa mudar, não se trata de questionar à luta, mas o modo de lutar. O que podemos pensar sobre isto em nossa próxima reunião?
Althusser, L. Aparelhos Ideológicos do Estado. 1996

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