NOTA #3 [15/01/2015] (SP)

Não é preciso aceitar tudo como verdadeiro, apenas como necessário

Em sua teoria sobre os Aparelhos Ideológico do Estado, Loius Althusser, aponta que a Ideologia ao interpelar o sujeito em sua subjetividade toma o lugar de Sentido e de Verdade, desta forma internalizada a ideologia encontra sua forma de funcionamento e propagação.

No entanto, algo escapa à teoria althusseriana, que na interpelação do sujeito pela ideologia, algo – que é o traumático desta experiência – permanece externo, insimbolizável e principalmente desprovido de sentido. Esse resquício traumático – o qual Zizek chama de a letra morta, o inconsciente psicanalítico – é o que garante a completa submissão do sujeito à fantasia ideológica, não porque está é tomada como justa e verdadeira, mas, antes, pois é necessária. Este excesso sem sentido é que faz com que o sujeito, frente ao enigma do Outro “Che voui?”, na tentativa de conferir um sentido ao traumático, de disfarçar o furo, se submeta à ideologia em sua dimensão Imaginária, isto é, na fantasia.

Seguindo a leitura zizekiana da ideologia, podemos dizer que, no processo de interpelação subjetiva, é onde ela falha em subjetivar, no excesso insimbolizável, que garante seu funcionamento. Voltando a fala do Sr. K no conto kafikiano O Processo, é precisamente isso que ele aponta, não é necessário que a fantasia ideológica assuma o estatuto de verdade – e não estamos aqui caindo na armadilha de dizer que a realidade não existe que é tudo uma ilusão, não – mas apenas que ela seja compreendida como necessária, uma construção imaginário fundamental para nos afastar do Real do nosso desejo.

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