NOTA #4 [16/02/2016] (RJ I)

491. Despojos. Desde a minha entrada no CEII, guardo boa parte do que não entra nas minhas notas em um arquivo a parte denominado “Despojos”. Eis as duas primeiras páginas das 23 (um número primo!) que já tem esse arquivo:

A ideia de comunismo

“Pensar organizando” e “organizar pensando” são expressões que visam dar conta do f

Mas se a Ideia é a operação formal que “medeia” os referidos encontros, teríamos um resultado marginal com relação à reapropriação de Platão que Badiou tenta promover. Tal resultado, que será indicado mas não desenvolvido, é o seguinte: em Platão, o que parece promover o encontro entre eterno e temporal, universal/singular (eidos/idea; Pradeau, 2001) e particular não é a ideia (como seria o caso para Badiou), mas a noção – ou, se quisermos, a operação – de participação.

, o eterno experimentado) como presente (cf. Badiou, 2008, p. 560)

Convém recordar (ao menos) mais um elemento estaria em jogo quando se fala de Ideia de comunismo em Badiou – ou, antes, de política
Embora didaticamente separadas, convém advertir que as três questões se entrelaçam, seja pela sua natureza (o caso das duas úlitmas, pelo menos) ou pela natureza do trabalho que se empreende aqui (o que levará a exemplificar a operação em jogo em 1) preferencialmente com exemplos políticos, isto é, que levam a 2)).

O que sustenta essa resposta é o modo como Badiou enfrenta, sobretudo na conclusão de A Lógica dos Mundos, a questão “O que é viver?” (2008, p. 557 ss.). É aí que, creio, se deve achar o sentido de um comunismo da Ideia.

Em linhas gerais, a “Ideia” é uma operação que formaliza o encontro entre o universal, o particular e o singular, entre o eterno e o temporal, entre o infinito e o finito – e “(Ideia de) comunismo” é o nome que essa operação ganha na política, concebida por Badiou como um processo de verdade (ao lado da arte, da ciência, do amor).
Em outras palavras, poderíamos dizer que “comunismo” é o nome (contemporâneo) da verdade na política (da emancipação). Contudo, essa verdade não seria o resultado necessário, o télos inelutável da História como quer certa interpretação mais ou menos corrente da “dialética” hegeliana ou marxista. Isso porque, entre outras razões, a criação de verdades universais, eternas (em política, mas não só) não se dá sem a dupla singularidade (e finitude e contingência) do evento singular que dá azo a um processo de verdade e do engajamento militante que, partindo da declaração do evento, trabalha com disciplina nas consequências deste, as quais constituem o referido processo. Nesse sentido, se é verdade que o pensamento de Badiou pode servir não só para retomar a hipótese comunista mas também para repensar Marx, essa dupla serventia passa, ao menos no caso de que nos ocupamos aqui, por conjugar a eternidade, a universalidade e a infinitude de uma verdade política com a temporalidade, a particularidade e a finitude de quem a sustenta, sem meramente subsumir (ou “suprassumir”) este àquela.
Por outro lado, parece inescapável que a retomada da hipótese comunista via Ideia de comunismo comungue em certa medida com a compreensão “comum” de que uma comunidade organizada desde tal Ideia ou segundo tal hipótese propõe uma vida outra que a do sistema capitalista ou, para falar com Badiou, a do “capital-parlamentarismo”. Se isso é verdade, perguntar-se pela relação entre comunismo e Ideia implica em perguntar-se também: que outra vida (coletiva, porque política) é essa que está em jogo em um comunismo da Ideia?
Em consonância com o que ficou dito,

Procuraremos discutir, partindo das reflexões do filósofo contemporâneo Alain Badiou, a pertinência da hipótese comunista hoje, malgrado o inegável fracasso histórico das tentativas de sua implementação ao longo do século XX, que deve ser reconhecido. Para Badiou, o comunismo de Marx se afigura ainda como saída possível da condição patológica social em que nos lança o liberalismo econômico e sua contraparte política indissociável: a democracia parlamentar. 017 falará sobre o aprendizado que se pode extrair dos fracassos dos projetos políticos orientados pela ideia do comunismo; 047 vai procurar pensar a pertinência da retomada da operação platônica denominada “Ideia” para a reatualização da hipótese comunista; e 013 vai refletir sobre “O que fazer?”: reforma democrática ou revolução? a propósito do debate entre Badiou e Marcel Gauchet acerca do capitalismo, comunismo e democracia.

Nota 2 (São Paulo)

20, 103, 67

quatro discursos (disposição subjetiva (p. 52)) judeu (52), sinal (52)/ profeta: posição subjetiva; grego: cósmico; disposição: sábio (52). O judeu, na exceção, é o grego. Encaixar X eleição; salvação: dominação da totalidade X decifração de signos) Por que necessariamente conscientes de sua identidade (profeta e sábio)?
Não lei, não cósmico, discurso do filho (X do pai, dominação): apóstolo

O filho não falta nada: puro começo. (p. 65)

O mestre fora/destituído, igualdade dos filhos (p. 66)

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