Nota #3 (23/06/2015) (RJ)

Me parece que todos os autores envolvidos na conferência ‘A Ideia do Comunismo’ concordam que é possível retomar esse termo “comunismo” porque é possível pensar que há algo em comum entre nós sem que isso aniquile o que temos de diferente. A grande questão torna-se assim, como articular o que é de todos com o que é exclusivo de cada um: o igual e o diferente, o mesmo e o outro, o universal e o singular, a estrutura e o sujeito, etc.

Partindo dessa mesma possibilidade, cada filósofo propõe uma solução diferente. A solução parece ter, no mínimo, três termos: uma caracterização do “comum” (universal, mesmo, igual, todo, etc), uma caracterização do diferente (singular, outro, sujeito, etc), e, por fim, uma decisão sobre a dimensão ou campo de pensamento em que essa articulação se dá. Zizek fala da universalidade da razão pública e do sujeito proletário, articulados através dos antagonismos político-econômicos que são consequência do cercamento dos comuns; Badiou fala da universalidade de um procedimento antipredicativo e da singularidade do sujeito militante, incorporado nessa invenção, através dos movimentos reais e localizados de organização política.

No caso de Nancy, pelo menos até onde lemos, o que ficou claro é que o campo de articulação entre o comum e o sujeito é a antropologia filosófica – isso é, é o pensamento do homem enquanto ser humano: ser humano é “ser-com”.

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