Nota #3 [23/09/2014] (RJ I)

Por que saio do Ceii, ainda:

 

Houve um consistente jogo de espelhamento com o intuito de produzir isolamento e conduzir a uma situação de constrangimento. Isso não é maneira digna de tratar ninguém. Informações circularam de maneira exclusiva de para configurar culpa e consequente embotamento, privação de participação. Nada foi justificado ou trabalhado em conjunto. Diversas vezes houve insinuações de julgamento sobre meu estilo de vida, hábitos que eram só meus foram atacados de maneira a geral vulnerabilidade. Quais alternativas restavam? toda tentativa de procurar apoio dentro do grupo não surtiu em respostas significativas, ninguém se expressou particularmente sobre o que tinha sido feito. Tudo isso em nome do que?

 

A lógica sem substância em que se resume a prática de desconstrução operada, é a morte de qualquer possibilidade de autonomia e libertação. É o que desconecta vocês da vida que acontece no terreno dos mais mundanos e que vai impedir que entrem em contato com o potencial revolucionário autêntico. Esse maquinário que todos tinham a serviço pode ser uma fábrica também de produzir o pior tipo de perversidade. O soldado anônimo. Qualquer grupo que aceite deliberadamente ou não, se aproveitar da vulnerabilidade de um indivíduo perante a imposição da crença da maioria é um ato de violência que nunca pode ser redimido. Essa conta não pode ser equiparada a um futuro luminoso provável, ele não é garantido e pode simplesmente gerar a rejeição do sistema justamente pela tentativa de doutrinação.

 

Se é isso que é ser um verdadeiro ateu: se servir da religião para finalidades e interesses obscuros, é aí que coloco a raiz do mal que nos propomos a combater. E não aceito ser parte disso. Meu sistema de valores pode não ser ordenado e fazer sentido pra quem olha de longe. Mas não pode ser ‘pregada’ uma maneira correta de conhecer alguém. Enquanto essa disputa é feita de frente, de pessoa pra pessoa, certas ofensas e antagonismos são permitidos, mas quando um grupo se une com propósito de implantar uma ideia nos outros, é perversidade. Talvez a minha linguagem seja limitada pela minha experiência e por isso minha argumentação fique restrita a parcos silogismos e apelos a figuras de linguagem. Não importa o quanto o seu sistema seja coerente e pareça libertador, se as práticas atreladas a ele produzem subserviência. É nesse nível que o seu conhecimento ainda não consegue operar e se ilude ao se colocar como salvador das causas nobres.

 

Quando digo que essa hierarquia produz perversidade é no sentido de que o discurso disseminado acaba permitindo que qualquer um se esconda por trás dessas maneiras regulamentadas de se portar e monte um cenário especial que atenda à sua vontade, realizando alguma satisfação obscena pois passará despercebido em meio a todos os outros que só estão tentando seguir as regras sem dúvida sem angústia.

 

É muita desonestidade intelectual defender que houve uma situação traumática e a isso eu liguei uma rejeição ao grupo, pois novamente, não se tratava de um contrato explícito de transferência de poderes. A lógica solipsista da práxis pseudopsicanalítica é perigosa nesse sentido, Nos prende a uma comprovação que eu afirmo não aderir. A confiança é algo que se dá de graça, não se atesta a sua veracidade pela mentira. Fui relegada a uma posição de ameaça sem ter sido informada desse efeito, apenas foi sendo alimentado segundo a vontade arbitrária dos indivíduos.

 

Mas a maior injustiça foi o fato de que várias pessoas estavam participando dessa simulação direcionada e consentiram em dissimular informações.

 

Angústia é o que nos mantêm a possibilidade de nascer de novo. A dúvida e a confusão são o que nos colocam de frente pro grande mundo desconhecido. Se as minhas contradições se excediam isso não dizia respeito ao grupo se mobilizar para uma ação conjunta e direcionada para causar modificação. Nada justifica utilizar dados privados contra a própria pessoa com o intuito de trazê-la para mais perto. Em nenhum momento foi explicitado que se tratava de uma relação de tutela ou para fins terapêuticos. No máximo foi estabelecido uma relação dentro de um laboratório social, isso não dá permissão de não informar os atores de que estão sendo observados.

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