NOTA #3 [28/03/2017] (RJ I)

A Fundação Perseu Abramo fez uma pesquisa qualitativa, mais focada em extrair conclusões subjetivas, com moradores de bairros da periferia de São Paulo. Foram 63 entrevistas em profundidade e cinco grupos focais que tinham entre 8 e 12 participantes cada. Maiores de 18 anos, os participantes têm em comum o fato de terem deixado de votar no PT nas últimas duas eleições. Ou seja, eles eram eleitores do partido até 2012, quando a sigla conquistava vitórias na periferia, mas não votaram em Dilma Rousseff em 2014 nem em Fernando Haddad em 2016.
 As entrevistas e os grupos de discussão aconteceram entre novembro de 2016 e janeiro de 2017, depois da derrota de Haddad no primeiro turno. Três em cada dez entrevistados são ou foram beneficiários de programas do governo petista como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida ou Prouni.
 “A população periférica da cidade de São Paulo tem opiniões próprias, complexas e que não seguem esquemas ideológicos polarizados e encartilhados”, Matheus Tancredo Toledo sobre os resultados da pesquisa.
 Algumas conclusões 
QUEM SÃO 
Os entrevistados se definem como classe média e associam a pobreza à falta de moradia e alimento. Eles identificam o patrão como diferente, mas não veem relação de exploração já que um precisa do outro. Os entrevistados querem ascensão social, trabalham para “chegar lá”. 
CONFLITO DE CLASSES
 Para os trabalhadores, o principal conflito que existe na sociedade atual não é entre ricos e pobres, mas entre sociedade e o Estado. 
POLÍTICAS PÚBLICAS 
Apoiam programas que garantam acesso a oportunidades, mas rejeitam as que supostamente “duvidam” da capacidade dos cidadãos, como as cotas. 
MERITOCRACIA
 A ascensão vem com trabalho e esforço. Os entrevistados sabem que as oportunidades são desiguais, mas não veem barreiras intransponíveis. Essa percepção é ainda maior entre os jovens. 
A POLÍTICA E OS POLÍTICOS 
A política institucional é “suja” e os políticos não cumprem seus deveres com o povo. A corrupção é, para eles, o principal problema do Brasil porque é também a causa de outros como desemprego e violência. O mercado é mais confiável que o Estado.
 O PAPEL DA POLÍTICA E MEIOS DE INFORMAÇÃO
 Os entrevistados, com a rotina atarefada, têm pouco tempo para pensar em política. As principais fontes de informação são os veículos da “grande mídia”. 
DIVISÃO POLÍTICA 
A polarização política, entre direita e esquerda, não é bem definida para os entrevistados. Disputas entre “conservador” e “progressista” ou mesmo palavras como “coxinha” e “reaça” não fazem sentido para os entrevistados. 
DIVISÃO DE RESPONSABILIDADES 
Há confusão sobre as atribuições de prefeituras, Estados e governo federal. “A tendência é de que tudo o que concerne à vivência concreta da cidade seja cobrado das prefeituras e o que diz respeito a questões mais macro e abstratas para a Presidência da República, isentando o governo estadual.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/04/03/Como-pensa-o-eleitor-da-periferia-que-deixou-de-votar-no-PT-segundo-este-estudo-do-pr%C3%B3prio-partido

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