NOTA #3 [29/10/2015] (SP)

Chakaruna

Na reunião passada, discutimos a respeito da “divisão do trabalho”, ou funções, dentro da célula. Nunca é fácil delegar funções, principalmente quando se está entre pares. Mesmo dentro de um “coletivo” alguns integrantes exercem funções diferentes. São atribuições que possibilitam manter a organização necessária das pautas para que ocorrem as reuniões, por exemplo. Essas atribuições são conferidas, geralmente, aos indivíduos que atuam desde a fundação do grupo.

Ao pensar nisso, comecei a divagar, lembrar do tempo em que estive na faculdade, nas aulas de sociologia, e costumava ler e debater sobre o tema. São muitas as concepções sobre a organização do trabalho, tayloristas, fordistas, fayolistas, marxistas, tribais, etc. Apelando às definições mais genéricas, à la Wikipedia, pode-se dizer que o termo aparece em diversas áreas do conhecimento. Só para citar algumas, podemos encontrá-las na economia, sociologia, antropologia e história. Em resumo, referem-se à divisão do trabalho como “diferentes formas que os seres humanos, ao viverem em sociedades históricas, produzem e reproduzem a vida”. Como havia dito, é uma definição bastante genérica, que pressupõe uma interpretação da história como cenário da vida do homem, que representa, por sua vez, toda a humanidade.

Nos chamados “sistemas domésticos de manufatura”, o trabalhador conhecia as etapas de produção em sua totalidade, ou quase. Para Marx, com a introdução do “sistema fabril” isso deixou de ser possível, pois a “complexidade”, que resulta da divisão do trabalho, tornou inviável o conhecimento dessas etapas por “todos”. Ela envolve apenas um grupo seleto de pessoas que possuem condições de conhecer essas etapas de produção (criação, planejamento e execução).

É a divisão do trabalho que condiciona a cooperação entre os indivíduos, mesmo em sociedades que possuem organização tribal. No entanto, O “desenvolvimento tecnológico” (se é que podemos chamá-lo assim) entre os índios não decaiu, necessariamente, nessa “especialização” do trabalho, ou seja, em uma comunidade indígena não há especialistas, existe apenas uma divisão de tarefas entre os sexos. O que um indivíduo faz, todos os outros do mesmo sexo também fazem.

Como se pode ver, a divisão social do trabalho permeia toda a história da humanidade, mas de maneiras diferentes. Algumas formas são hierarquizadas, outras cooperativas, outras ainda obedecem a um tipo de “rodízio”, mas sempre dividas e organizadas entre si. Qual das formas apresentadas pode ser aplicada ao coletivo? Algumas? Nenhuma? Todas? Podemos criar formas alternativas mesclando as conhecidas ou devemos pensar em formas novas de organização e divisão do trabalho?

 

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