NOTA #4 [08/08/2017] (RJ I)

Me parece que, em termos formais, o partido, de raiz leninista, encarna o mesmo desenho da igreja. No início eram pessoas desgraçadas e pobres sem esperança construindo uma nova forma de vida, a instituicionalização parece que mata esse empuxo pelo novo e acaba se obturando em dogmas e esses dogmas são distribuidos conforme o posto que se ocupe no partido, há os dogmas meio frouxos e meio difusos para a base do partido, assim como há o cristianismo popular e há o dogma restrito, e talvez mais dogmático ainda, da direção do partido. Me faz pensar que por isso o Badiou diz que a forma partido está esgotada.

“Quando se está só, a imperfeição deve ser suportada a cada minuto do dia, um casal, no entanto, não tem que se haver com isso. Não são nossos olhos feitos para serem arrancados, e nossos corações para o mesmo propósito? Ao mesmo tempo, isso não é realmente o que é mal, isso é um exagero e uma mentira, tudo é um exagero, a única verdade é o desejo. Mas mesmo a verdade do desejo não é muito sua própria verdade, é realmente uma expressão de todo o resto, que é uma mentira. Isso parece loucura e distorção, mas é verdade. Além disso, talvez não seja amor quando eu digo que você é o que mais amo  você é a faca que eu torço dentro de mim, isso é amor. Isso, minha querida, é amor.”

KAFKA, cartas a Milena.

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