NOTA #4 [11/04/2017] (RJ I)

AS PREVISÕES DE MARX foram refutadas?

 

É comum se censurar na hipótese marxista acerca do sentido da história, presente no Manifesto comunista ou o Prefácio da contribuição à crítica da economia política, um certo etapismo economicista rígido, cujas antecipações não tardariam por falhar. Afinal, em aparente oposição ao estabelecido nesses textos, a revolução “comunista” ocorreu num país onde as relações de produção burguesas ainda não tinham se desenvolvido plenamente. Mas esse “erro” no prognóstico anularia o diagnóstico da crise do capitalismo e de sua inexorável necessidade de superação? No prefácio à edição russa do Manifesto, de 1882, Marx busca contornar o “excesso de determinismo” que lhe é imputado, e consciente da situação de uma Rússia 95% agrária, admitiu que um estado cuja propriedade da terra é coletiva, pode servir ainda assim como ponto de partida para uma revolução comunista. Mas vale ressaltar que essa cláusula introduzida por Marx não equivale a uma renegação sumária das teses anteriores em nome de uma visão do comunismo mais romântica, avessa à noção de progresso e modernização burguesa. No mesmo prefácio tardio do “Manifesto russo”, é claramente frisada a ideia de uma complementação das revoluções proletárias, agrária e industrial, pois uma não vai sem a outra. E se a revolução russa não prosperou, é legítimo pensar que isso se deveu ao fato de que, mesmo com todo esforço de industrialização iniciado por Lenin, o atraso social e material não foi superado. O que, a nosso ver, não desmente mas ratifica a tese marxista mais geral, de que uma revolução próspera há de se realizar num país modernizado.

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