NOTA #4 [13/06/2019] (RJ I)

Crash – J.G. Ballard

Disclaimer: eu não entendo de literatura. Nos últimos 3 anos da minha vida só li (muito mal, por sinal) teoria e não-ficção, e logo quando me deram a ideia de iniciar uma leitura conjunta de Crash, juntei os restos de fragmentos k-punk ainda frescos em minha cabeça sobre Ballard, o filme de Cronemberg que vi sem muito entusiasmo, minha própria inexperiência com literatura e adentrei o texto. Minha surpresa foi o caráter extremamente teórico e conceitual que a obra oferece, em paralaxe a pornografia explícita e a temática “violenta” envolvendo batidas de carro. O desenvolvimento do texto remove o véu de banalidade que o carro ocupa na ordem simbólica cotidiana, uma reminiscência perversa rompendo a ficção confortável ao redor da função “social-cultural” do carro. A máquina estranha que resta após esse processo nos leva a temer sua velocidade, entender sua capacidade de espatifar as dimensões de alguém, colidindo tempo/espaço em uma parede de concreto. O livro também nos leva a entender o funcionamento pornográfico da sexualidade, sua interpelação através da fantasia, sendo o carro um instrumento da elevação abstrata do sexo – sexo teórico, conceitualizado. Tudo que eu falei Mark Fisher falou antes, de forma bem mais formosa e kool, então não vou me alongar. O que eu queria apontar antes de terminar é a diferença que vejo gritante no texto de Ballard e no filme de Cronemberg, salvo todas as complicações que uma “adaptação” já leva consigo. O livro constantemente aponta para uma confusão, conjunção, entre ficção, fantasia, e mídia com a “realidade” posta aos personagens. Enfim é isso ai não sei terminar textos então cabou.

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