Nota #4 [13/08/2013]

O exercício do pensamento e da prática é complexo. Normalmente, tomamos o pensamento como destituído de prática e a prática isenta de qualquer inefetividade. Ou seja, espontaneamente, nos comportamos em relação ao pensamento como se ele não fosse uma atividade que, enquanto tal, não contivesse prática e intuímos que toda ação é, necessariamente, portadora de um sentido concreto.

Tanto o pensamento como a prática já foram reivindicados como molas transformadoras da realidade. A realidade como coextensiva ao pensamento ou o mundo como manifestação da ação. O que não pode fazer sentido: a realidade não pode ser um produto do pensamento, nem, por sua vez, pode ser refém de nossas ações. Num caso, como no outro, seja em nome do pensamento, seja em nome da ação, estaríamos diante de uma concepção subjetivista da “realidade histórica” porque, em ambos os casos, seria ela um resultado [unilateral] de nossos gestos. Para haver prática é necessário que haja a distinção entre pensamento e ação. Mas qual deve ser esta distinção? Uma que possibilite uma relação entre estas duas esferas. Mas para que haja tal relação é necessário, por fim, que ambas possuam seu próprio domínio. No entanto, por exemplo, dizer que o lugar do pensamento é na teoria ou que o lugar da prática é na ação embora garanta a distinção, não possibilita a relação almejada. A primeira alternativa seria: a teoria deve iluminar a ação e a ação deve realizar a teoria. Mas se a teoria deve iluminar a ação o pensamento é um epifenômeno da realidade [sendo, portanto, fundamentalmente, indistinto dela]; se a ação deve “dar concretude” à teoria, é como se ela servisse ao pensamento e não se servisse dele [mais uma vez, seria difícil precisar a diferença entre uma coisa e outra].

A ideia então, pode ser, é preciso garantir à prática seu pensamento para que seja possível formar uma teoria; é preciso ver o pensamento como uma prática para que seja possível localizar sua atividade. No trabalho desenvolvido no círculo, penso, seja isso que se procura exercitar: o pensamento como pensamento porque tem-se que ele é uma atividade bem como o exercício de funções porque, se feitas, portam um pensamento. Então, na teoria desenvolve-se a prática da teoria e na prática emerge a teoria da prática. Com esse movimento a relação entre pensamento e prática parece ganhar outro movimento, me parece. Pode então gerar outro resultado.

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