NOTA #4 [16/05/2017] (RJ I)

 

 

 

 

Nós, os que piramos com o SG!

 

Camarada 313: Eu ando achando que a coisa do saber tem uma dinâmica bem corriqueira, que rola em qualquer outra organização. Fico pensando que muito da manutenção do engajamento tem a ver com a presença de uma pessoa que tenha uma trajetória intelectual consistente. No caso do CEII é a trajetória intelectual, no caso de organizações militantes tem uma ligação com saber sobre a pequena e grande política.

 

Eu não acho que isso seja uma coisa ruim. Acho que a gente tem que assumir isso. Acho que o engajamento e as inscrições da célula RJ (a mais ativa do CEII), e do CEII como um todo, se sustentam bastante na imagem do 031. Mas também não tem a ver só com a imagem. Acho que também tem a ver com um acesso a essa riqueza social que é a teoria. A gente que pira nisso prefere fazer um mini-curso sobre Badiou do que comprar um Iphone 7. Imagino que a galera que se mantém e se inscreve faz muito por isso. A necessidade de articular engajamento e pensamento acho que é desenvolvida ao longo da experiência de fazer parte do CEII.

 

Quem sabe a gente podia explorar ainda mais a figura do seu 031 como “pai da horda do pensamento” e fazer outro bezerro de ouro, um “pai da horda da militância”. Bem no sentido imagético mesmo. Propaganda enganosa. Dai ao longo da participação o que tiver de ficar fica como subjetivação singular de cada um e o que ficar de desamparo tem a estrutura do CEII pra endereçar e lançar pra fora.

 

Camarada 023: Mas acho que justamente pode se tratar de uma riqueza social não é uma questão de imagem, mas de construção simbólico. Não “é” o 031 que faz as reuniões ficarem cheias, mas o fato que com ele a gente consegue pensar uma série de questões. Digo mais, toda vez que a imagem do 031 ficou em primeiro plano, deu merda. Seja quando essa imagem apareceu como mestre do saber (aí as pessoas criticavam o CEII como professoral, “muito teórico” etc), ou como líder da organização (aí era pior ainda! Fomos acusados de seita pra baixo). Então acho que a postura de “uso” do 031 (e de qualquer outro! Essa é a sacação princinpal) não é como pai, mas como irmão, no sentido mesmo que se fala no cristianismo ou na favela. Há diferenças entre os irmãos, mas o que importa é que pode cada um fazer com o outro e pelo outro.

 

E cá entre nós: certamente o 031 tem uma formação excelente, mas o que faz a coisa andar é o desejo de manter o coletivo em pé. Então tenho a impressão que, mesmo um membro não sabendo do riscado, ele ocupa esse lugar que o 031 ocupa, com todos os problemas e vantagens que isso traz. Dois exemplos: Rodrigo em SP e José no PR.

 

Camarada 313: Pois então… eu ando achando que o processo de engajamento do CEII como a entrada na análise. Quando a gente chega a transferência é praticamente toda imaginária. Ao longo do processo ela vai ficando simbolizada, que é quando a gente vai pro divã.

 

Mas por mais que a transferência seja cada vez menos imagética ela nunca deixa de ter algo de imaginária. Por isso eu acho que a coisa dos irmãos, como uma democracia de iguais, não é possível. Eu tenho pra mim que tudo o que é possível são mediações de alienação e separação.

 

Tenho pra mim que ao invés de tentarmos explicar racionalmente para as pessoas que somos todos iguais nós poderíamos assumir uma organização mais desigual (hierárquica mesmo), no sentido de fazer como forma organizativa aquilo que sempre vai estar dado para todos numa dimensão imaginária e que é artificialmente suprimida por um princípio ideológico de igualdade. Tenho a impressão de que numa estrutura assim poderíamos mais facilmente fazer aparecer a dimensão imaginária da transferência que sustenta o vínculo do participante com o CEII e bolar maneiras de encaminhar sempre no sentido de uma transferência de trabalho.

 

Sempre pirei na ideia de termos um cargo de Secretário Geral. Aquele de chefão mesmo, não secretário de célula. Dai a gente poderia por à prova a proposta de que qualquer um pode ocupar qualquer cargo.

 

Camarada 023: A igualdade radical é o impossível que a gente tem que insistir. Concordo que o que a gente maneja no CEII são essas mediações, e tb que o componente imaginário é sempre presente, mas enfatizaria que esse impossível da igualdade radical é a orientação.

 

Por isso que acho que essa coisa da hierarquia “mesmo” não vai dar certo. Por alguns motivos. O principal é que o CEII se articula via engajamento voluntário. Portanto, a dinâmica de processos de mando-obediência típica de hieraruqias não vai dar certo conosco simplesmente porque os mandos não serão atendidos.

 

Mas no final vc tem razão, a coisa só da certo com a presença do SG. Só que acho que ele é um chefão diferente, porque ele mais trabalha do que manda… só a gente ver a existência “realmente existente” dos nossos SGs – trabalham pra cacete. A forma de “mando” do SG é mais sutil, acho: não é dizer o que o outro tem que fazer, mas criar as condições para aquilo que o membro queria fazer seja possível, “você pode, agora você deve”. Há muitas outras questão sobre o SG. Aliás, acho que vale abrirmos um linha de debate teórico sobre o CEII. Porque a gente discute um monte que coisas que serve para a nossa organizaão, mas não teoriza diretamente ela. O que é um Mais UM? O que é um SG? O que é uma célula? O que é um subcojunto? Sâo funções que a gente vai criar no calor do desenvolvimento enquanto organização, mas acho que a gente para muito pouco para teorizar sobre isso.

 

Ah! Eu tb piro com o SG! rsrsrs

 

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