Nota #4 [18/02/2014]

Um notinha pra polêmica, meio advogado do diabo.

A Nota #3 [18/02/2014], diz “para Badiou a relação entre indivíduo e coletivo requer primeiro uma ruptura com o que é dado na situação como pertencendo a essas duas ordens, por meio da declaração de um evento que torna essa separação indistinta, e em seguida requer o processo de fidelidade a esse evento”.

Questão: algo da ordem do evento “retorna” à situação? Ou melhor, a partir do que do Evento a situação se modifica? A declaração torna indivíduo e coletivo indistintos, mas ela promove alguma alteração positiva neles? No manifesto comunista, se defende a abolição da propriedade privada dos meios de produção; em diversos livros, Zizek faz a defesa dos quatro comuns – são todas propostas objetivas de alteração da realidade. Uma pergunta que um marxista tradicional faria a Badiou e que replico aqui: o que um Evento altera concretamente a realidade? Se ela altera, não se pode escapar de definir objetivamente quais são essas alterações; e se não altera, Badiou seria um mero idealista pré-hegeliano – é isso?

Uma ideia sobre “Nota #4 [18/02/2014]

  1. 1) O acontecimento com a sua declaração é a marca da ruptura com os discernimentos da situação, dentre eles a distinção entre indivíduo e coletivo a partir da qual a relação entre eles é colocada como transitiva, o indivíduo como uma unidade e o coletivo como uma coleção de indivíduos.
    2) Para que um acontecimento efetivamente constitua um evento não basta romper com a situação por meio da declaração do acontecimento. É necessário inscrever o acontecimento na situação.Isso ocorre através do que Badiou chama de processo de fidelidade. É daí, da inscrição do acontecimento na situação, que a situação é efetivamente alterada e a distinção entre individual e coletivo, assim como a relação entre eles, passam a ser da ordem da verdade e do sujeito.

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