NOTA #4 [19/06/2018] (RJ I)

O “Caveirão Voador”, comentado na reunião, foi central num episódio (meio bizarro, meio engraçado) que vivi ano passado. Numa escola estadual situada na Mangueira, aguardando meu horário para entrar em sala de aula, fui surpreendido por uma operação da Polícia Militar. A surpresa se deveu menos à incursão policial nem pelo seu grau de violência, ambos comuns naquela altura, mas pelo diálogo que presenciei entre alunos e um colega, que acho ser um professor de história.

A contenda se devia ao sentido da ação da PM no morro. A divisão era especialmente exercitada por uma aluna com o professor. Enquanto ele tecia críticas à presença de um helicóptero sobrevoando casa com agentes armados, indicando desrespeito, abusos e riscos cometidos pelo Estado contra a população da favela, a aluna divergia. Para ela, ao contrário do que achava o professor, não havia nada disso. À medida que ele a ironizava sobre sua crença sobre “apenas bandidos serem alvos de um tiro do helicóptero da polícia”, ela reafirmava para ele sua convicção em razão do que ela própria vivia.

Foi menos que cinco minutos, mas foi uma das coisas mais esquisitas que já vi.

À luz do material trabalho pela célula no momento, o que vocês acham?

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