NOTA #5 [02/12/2014] (SP)

Para Zizek, a crença está materializada em nossa vida, nosso convívio social. É ela que dá sustentação a esta realidade.  Fazendo analogia, arbitrariamente, ao universo kafkiano, Zizek argumenta que Kafka fornecia uma “expressão “fantasiosa” e “subjetivamente distorcida” da burocracia moderna e do destino do individuo dentro dela”. Na verdade, o universo kafkiano não representa uma  simples “imagem fantasiosa da realidade social”,  mas sim a fantasia que está atuando frente à essa própria realidade (social).

Segundo o autor, o que chamamos de “realidade social”, nada mais é que um “construto (pseudo) ético” que sustenta-se num certo “como se” , em outras palavras, nós “agimos como se acreditássemos na onipotência da burocracia, como se o Presidente encarnasse a Vontade do Povo, como se o Partido expressasse o interesse objetivo da classe trabalhadora etc)”, tanto que, conclui Zizek, “Tao logo se perde a crença […], o próprio tecido do campo social se desintegra”.

Isso já foi, de certa maneira, diz Zizek, articulado por Pascal. Em um recorte, feito por ele mesmo, e atribuído a Althusser, Zizek diz que “em sua tentativa de elaborar o conceito de Aparelhos Ideológicos de Estado”: para Pascal, nós não devemos nos enganar quanto a nós mesmos, pois somos “tanto autômato quanto mente”. Enquanto as “provas” convencem apenas a mente; o habito nos fornece provas mais solidas a respeito de alguma coisa: “Segundo Pascal, a interioridade de nosso raciocínio é determinada pela absurda maquina externa – o automatismo do significante, da rede simbólica em que os sujeitos são apanhados”.

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