NOTA #5 [03/07/2018] (RJ I)

Qual é, depois de agora trinta anos, minhas estratégia filosófica? É de estabelecer aquilo que eu chamo de imanência das verdades. Dito de outro modo, de salvar a categoria de verdade, e de legitimar que uma verdade possa ser:

– Absoluta toda sendo uma construção localizada.

– Eterna, toda resultante de um processo que, sob a forma de um evento desse mundo, começa em um mundo determinado e pertence ao tempo desse mundo.

– Ontologicamente determinada como multiplicidade genérica, sendo localizada fenomenologicamente no seu grau de existência maximal em um mundo dado.

– A-subjetiva (universal), exigindo, para ser apreendida, uma incorporação subjetiva.

Poderia-se dizer também: trata-se de criar a possibilidade efetiva de afirmar que as verdades existem como exceções concretas universais. O que permite de fugir do dilema de Kant para quem, ou bem as “verdades” não são mais que modalidades subjetivas do juízo, ou bem é preciso concordá-las com um tanto de transcendência.

Alain Badiou. A imanência das verdades (Ser e Evento III), 2018, p. 13. tradução rápida CEII.

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