Nota #5 [03/12/2012]

Sobre o caráter misterioso da mercadoria.

Para iniciar não só esta nota mas uma discussão, sobre o caráter misterioso da mercadoria, é pertinente colocar sobre a mesa uma pergunta, pergunta esta referente a premissa do argumento inicial que Marx utiliza para tentar desvendar o que seria esse caráter misterioso: Existe diferença entre um ou outro trabalho? Esta é uma pergunta que que amarra outras, como por exemplo: Existe diferença entre o trabalho manual e o trabalho intelectual, quanto ao dispêndio de energia? Porque é nesse ponto em que parece se apoiar o argumento inicial, sobre o caráter misterioso da mercadoria.

O caráter misterioso da mercadoria não provém de seu valor- de- uso, nem tão pouco dos fatores determinantes do seu valor. E para isso, há motivos. Primeiro, por mais que difiram os trabalhos úteis ou as atividades produtivas, a verdade fisiológica é que são funções do organismo humano e cada uma dessas funções não importa a forma ou o conteúdo, é essencialmente dispêndio do cérebro, dos nervos, músculos, sentidos etc, do homem.

O que se abstraí é justamente a peculiaridade de cada trabalho, tomando se como base o trabalho como valor absoluto, não importa se há mais dispêndio de energia ou menos dispêndio de energia, o que importa é que ambos são trabalhos. Marx nos coloca esta questão em torno do valor social do trabalho, o trabalho só adquire valor social se os homens trabalham uns para os outros. Esse caráter misterioso da mercadoria, “disfarça” ou “esconde” a igualdade do trabalho humano a partir do valor adquirido pelo produto do trabalho, ou seja mercadoria.

Portanto o caráter social do trabalho se desloca da relação entre produtores, para a relação entre produto do trabalho. Assim sendo, seria o valor o elemento que compões este caráter misterioso da mercadoria?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *