NOTA #5 [04/04/2017] (RJ I)

000: (…) Ou, com Kafka (não por acaso também falando de um círculo: é possível que melhor teria sido comentar apenas com a reprodução desse aforismo): “Duas tarefas do início da vida: limitar cada vez mais o seu círculo e verificar continuamente se você não está escondido em algum lugar fora de seu círculo”.

047: (…) “Talvez seja o que eu procurava sem saber” é a descrição mais brega do desejo de entrar no círculo que eu já vi — e eu adoro brega. E por falar em brega, uma questão: como conciliar a citação de Kafka, que fala no estreitamento do Círculo próprio e uma verificação contínua da nossa eventual alienação em relação ao círculo de nós mesmos, com a necessidade de pensar o Ceii segundo a lógica do “vamos abrir a roda, enlarguecer”?

311: vc tem q ler a coisa como dois círculos concêntricos, o primeiro é o círculo do universal que deve sempre crescer, esse ao qual o kafka se refere é o círculo da singularidade, que é interno ao universal, lmitar cada vez mais o círculo é o Sinthome do Lacan e não se esconder fora é não recusar a se alienar a esse significante primordial…

047: Eu tendo a achar que a singularidade não é bem um círculo dentro do universal, mas um modo de se relacionar, de “habitar” este último. Trata-se de um modo em que o si mesmo responde pelo estranhamento que constitui o mundo enquanto tal, no que poderíamos chamar de “universal concreto”. A este se oporia o “universal abstrato”, no qual o modo de habitar o universal é dominado pelo Outro e o sujeito se desimplica dessa relação e todos os seus problemas, em geral tentando “se apegar” a predicados fechados e fixos e reduzindo tudo a isso. É por aí que eu penso o “pensar abstratamente”, próprio ao comum. “A gente”, assim como o que “cada um de nós é”, circularia entre essas duas relações com o universal aí. Sob essa perspectiva, eu diria que há uma espécie de “identidade especulativa” entre estreitar e enlarguecer: estamos cada vez mais respondendo pelo círculo enquanto “singularidade coletiva”, ou “coletivo singular”, quanto mais (nos) estreitamos (a) ele; mas isso se faz pela processo de alargamento, isto é, pela verificação de o quanto ainda somos capazes de estar fora dele — ou, em outros termos, de abrigar igualmente qualquer um.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *