Nota #5 [14/03/2013]

A questão principal que foi apresentada a nós pelo texto de Zizek nos remeteu diretamente ao primeiro capítulo do livro O Capital de Marx, portanto me concentrarei em alguns pontos dessa introdução à economia marxista nesta nota. Tentarei sintetizar as partes mais importantes aqui.
Primeiramente, Marx define a mercadoria como algo que satisfaz as necessidades humanas – sejam elas apenas fantasias ou necessidades biológicas. Em seguida, a noção de valor de uso é introduzida: as qualidades da mercadoria proporcionam uma utilidade, a qual definirá o valor de uso da mercadoria. Ele só se realiza na consumação ou na utilização do produto. O valor de troca seria consequência de uma proporção que possibilita que os valores de uso de mercadorias diferentes sejam equivalentes e passíveis de troca.
Por exemplo, quando dizemos que 5kg de trigo é igual a 1kg de ferro, pode-se deduzir que há algo de comum entre os dois para se permitir que essa troca ocorra. Assim, deve haver um terceiro termo que possibilite a equivalência (Já que são claramente distintos materialmente e com relação ao valor de uso) que explicita o que constitui o valor de troca. Percebe-se que o valor de troca expressa o caráter quantitativo de uma mercadoria, enquanto o valor de uso expressa o caráter qualitativo desta.
Para chegar à definição do valor de troca, devemos subtrair as qualidades materiais (que nos informam o valor de uso) da mercadoria. O que sobra então? A única coisa que resta é que as mercadorias são produto do trabalho. Mas não devemos levar em conta um trabalho específico (trabalho do marceneiro, pedreiro etc.), devemos abstrair dessa especificidade e chegar a um trabalho humano abstrato – expresso pelo caráter que é comum em todos esses tipos de trabalho. Assim, uma mercadoria só tem valor se nela está materializada certa quantidade de trabalho humano abstrato, sendo essa quantidade medida por unidade de tempo. Porém, não se trata de medir o tempo que um trabalhador específico, mas de medir o tempo de trabalho socialmente necessário, a média dos tempos de trabalho para produzir a mercadoria. Outra questão importante é que as relações sociais aparecem nas trocas de mercadorias, pois seu valor é determinado pelo trabalho abstrato [socialmente necessário].
Assim, Marx introduz a forma simples da mercadoria, a qual Zizek faz menção em seu texto e que esconde o mistério de qualquer forma-valor: x da mercadoria A vale y da mercadoria B.

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