Nota #5 [24/03/2015] (RJ)

CEII e PSOL

Ao mesmo tempo em que estamos discutindo diferentes propostas de trabalho militante – 1) trabalho funcional, 2) procedimento genérico – e diversos paradigmas/modelos para pensar a organização militante – 1) paradigma jurídico, artístico, matemático -, estamos super envolvidos com o Psol: ajudamos a elaborar o curso de verão, estamos ministrando disciplinas eletivas, a bendita disciplina obrigatória, promovendo reuniões do núcleo de base do Centro, levantando propostas de práticas junto ao Psol, como a de utilizar o espaço da sede do partido para abrigar moradores de rua da região e realizar junto a essa população um trabalho de militância, bem como a de promover uma espécie de formação de militância para alunos do ensino médio etc.

Apesar de não ter ido na última quarta-feira no Psol para assistir e participar da apresentação da disciplina obrigatória encabeçada pelo camarada Fidel Carlos, fiquei sabendo que sua apesentação foi muito boa. No entanto, as figuras que constituem o diretório do Psol Rio não teriam demonstrado tanta simpatia com as nossas ideias relativas à função do partido. Num nível mais superficial podemos explicar essa antipatia em função das diferenças teórico-práticas. O diretório tem uma concepção sobre o que a política distinta da nossa. Daí nosso esforço de introduzir os pensadores que nos servem de referência no Partido nas disciplinas eletivas. A princípio, parece que essa tática está funcionando, mas ela é muito mais voltada para um público externo e simpatizante ao Psol do que ao próprio partido. O bicho está realmente pegando no que tange à nossa relação como CEII com o corpo instituído do partido. E a disciplina obrigatória revelou-se como o ponto onde está questão se manifesta.

A pergunta que me faço é: como fazer para sermos escutados como CEII-PSOL pelo corpo instituído do partido? Parece-me que antes de qualquer diferença de orientação teórica e prática, sequer somos reconhecidos como um coletivo que teria algo a acrescentar e contribuir para e pelo partido. Por que? Qual é a razão desta falta de reconhecimento? Minha hipótese é de que para sermos escutados, e a partir desse reconhecimento, lidarmos efetivamente com algum problema do qual possamos extrair consequências, precisamos pertencer ao partido de forma institucional. Como? Pertencendo a alguma corrente, de preferência aquela à qual o diretório do Rio for mais simpático. Trata-se de uma estratégia. Não precisamos aderir de corpo e alma às propostas de tal corrente, apenas falarmos em nome dela. E como no Psol as coisas são bem “abertas”, isso é bem possível. Trata-se de fazer um semblante. Será que isso comprometeria nossa orientação como CEII? Acredito que não. Mesmo que essa corrente fosse mega consistente, o que não é certamente o caso, suponho que não comprometeria o que estamos construindo. Ao contrário, serviria antes como material de investigação.

Em suma: estou propondo que retomemos as propostas das diferentes correntes do Psol, investiguemos à qual delas o diretório é simpatizante, e declaremos e passemos a participar de tal corrente. Talvez isso possa permitir pelo menos que sejamos escutados, isto é, reconhecidos. Até agora o retorno que temos recebido se reduz a argumentos ad homini: intelectualoides, destituídos de prática, ingênuos, café com leite… Ou seja: não estão escutando nossa posição.

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