NOTA #5 [25/07/2019] (RJ I)

“Adotando o termo teórico de afeto”, o economista e espinosista Frédéric Lordon, em The Economic Catastrophe as a Passionate Event, comenta que as afecções objetivas de, por exemplo, uma crise econômica, são mediadas por afetos coletivos, o que pode torná-la insustentável ou sustentável sem determinabilidade pré-estabelecida. Os efeitos dessas afecções, como reconhecer uma crise como efetivamente uma crise (do capitalismo ou no capitalismo), e seus consequentes conflitos e mudanças, portanto, dependem de fatores como a “exposição dos mecanismos sociais que determinam tal formação [afetiva]: influências miméticas intraindividuais, em que a direção da autoridade é passada pelos interlocutores ou prescritores de opinião concordados, o que é dizer, eles se referem aos pólos do capital simbólico concentrado, entre tantas coisas”.

Contudo — e Lordon não escreve sobre isso — não temos motivos para restringir temporalmente essas dinâmicas afeccionais à conjuntura atual, considerando a proposição XVIII da Parte 3: “O homem, a partir da imagem de uma coisa passada ou futura, é afetado pelo mesmo afeto de Alegria ou Tristeza que a partir da imagem de uma coisa presente” — ser afetado envolve contemplar como presente. Tampouco temos motivos para acreditar que, do outro lado, pela mesma proposição, essas dinâmicas afeccionais sobre imagens de coisas passadas ou futuras, como o que costumamos chamar de História, não são relevantes para a mobilização política de “movimentos coletivos em larga escala, tristezas individuais ou movimentos esporádicos”. Podemos entender isso como explicitação do quão ampliada é a disputa do que Lordon chama de “maioria ideativa-afetiva”.

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