NOTA #5 [29/08/2017] (RJ I)

Como o complexo de Édipo acabou aparecendo como tema na reunião passada, achei interessante trazer essa passagem do livro O amor impiedoso [ou: sobre a crença], do Slavoj Zizek:

“A marca registrada das enganadoras “introduções a Lacan” é conceber o advento da função paterna simbólica como o de um intruso que perturba o imaginário deleite simbiótico da díade mãe/criança, introduzindo aí a ordem das proibições (simbólicas), i.e.,a ordem enquanto tal. Contra essa percepção errônea, deve-se insistir que “pai”, para Lacan, não é o nome para a intrusão traumática, mas a solução ao impasse de tal intrusão, a resposta ao enigma. O enigma, claro, é o enigma do desejo do outro materno (o que ela efetivamente quer além de mim, uma vez que eu obviamente não sou suficiente para ela?), e “pai” é a resposta a esse enigma, a simbolização desse impasse. Nesse sentido preciso, “pai”, para Lacan, é uma tradução e/ou um sintoma: uma solução de compromisso que alivia a angústia insuportável do confronto direto com o vazio do desejo do outro.”

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