NOTA #5 [29/10/2015] (SP)

A impossibilidade de atingir um saber em sua totalidade é bastante relevante para a Psicanálise, e para o que entendemos por transmissão de um saber que é inconsciente. Lacan (1966) se referia à incompletude humana como fundamental e constitutiva. Ele acreditava que só nos constituímos humanos por essa falta, ou ainda, que não há ser humano completo ou que não seja castrado. Para refletir a respeito desse tema, Lacan trabalhou com o seu famoso aforismo “Não há relação sexual”. Com esta frase emblemática, Lacan (1966) queria apontar para a falta que marca o sujeito e, ao mesmo tempo, o faz desejante. Essa falta faz cada sujeito único e, por isso, impossibilita, não só a relação “igualitária” entre homem e mulher (relação sexual), mas, também, qualquer relação entre seres humanos que seja ausente de equívocos. Dito de outra forma, esse aforismo quer dizer que a comunicação plena inexiste. Quando somos introduzidos na sociedade humana, estamos mergulhados e atravessados pela linguagem e, assim, nada está garantido. Acho que nossas discussões sobre o funcionamento do CEII, mais especificamente, sobre novas formas de poder funcionar passam, também por estes pontos: nossa própria castração, os modos como nos constituímos e um saber que é inconsciente.

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