NOTA #5[20/05/2014] (RJ-I)

Parece evidente que, se nos referenciarmos no ponto de vista de Badiou, a economia política é um discurso de tipo grego – sempre lembrando que o regime de discursos se referem a “disposições subjetivas” (citações de São Paulo, p. 52). É um discurso de sabedoria que se apropria da “ordem fixa do mundo, acoplamento do logos ao ser” (id.).

Em meu pensamento a assim chamada “ciência jurídica” é o anverso (ou o avesso) da economia política, pois se esta estabelece a pretensa ordem fixa do mundo continente da relação entre o trabalho e seus produtos, o direito estabelece a ordem das vontades interindividuais portadores destes trabalhos e destes produtos. Um é o oposto (trabalho e coisas de um lado e vontades interindividuais “livres” de outro) e ao mesmo tempo idêntico ao outro (as mercadorias não vão ao mercado se trocar sozinhas, precisam de portadores juridicamente estabelecidos, como dizia Marx, etc.).

Pois bem, o discurso jurídico podem bem passar como um discurso de tipo judeu, uma vez que ele se trata da decodificação de um conjunto obscuro de sinais, da “exposição do obscuro para seu deciframento” (id.).

E assim temos, para Badiou, que Paulo afirmou que “os discursos judaico e grego são as duas faces de uma mesma figura de dominação” (p. 53, grifo de Badiou). Os dois tipos de discurso se complementam, são duas faces da mesma moeda (e da mesma Lei).

O discurso cristão, segundo Badiou, inaugura a noção de fidelidade ao evento-verdade, instaura o acontecimento contra a “totalidade” (discurso grego) ao mesmo tempo que contra a “Lei” (discurso judeu).

O que poderia significar, neste contexto badiouano, uma superação das “disposições subjetivas” (pois é disso que se trata na Teoria dos Discursos) dos discursos do grego e do judeu, que tomou corpo na pregação pauliana? E se tomarmos as referências da economia política e da ciência jurídica como decalques destes discursos, o que significara tal superação?

 

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