NOTA #6 [05/12/2017] (RJ I)

Ao longo do discurso da Política, podemos perceber no âmbito das teorias de fundamentação e legitimação do Estado um lugar comum, este lugar comum a saber é o debate sobre a Natureza Humana. A concepção Rousseauniana diz respeito a um homem bom, aquele que não pressupõe a perversidade como constituinte dele, mas um homem que se torna egoísta e individualista quando a sociedade o corrompe. Nesta acepção, tal perspectiva representa uma aproximação ou herança da concepção aristotélica do homem como um Zoon politikon, um animal social, assim o homem busca se relacionar com outros homens porque ele vive em sociedade, e suas potencialidades são melhor desenvolvidas na vida em sociedade. A concepção da natureza humana de Thomas Hobbes pressupõe uma natureza perversa e egoísta, o que está exposto em sua principal obra “O Leviatã”. Em sua fundamentação, Hobbes menciona o que seria a situação de uma Guerra generalizada dos homens contra todos os homens a partir de uma concepção de homem que partiria de uma igualdade fundamental entre eles. Por mais que um possa ser fisicamente mais forte do que outro, este mesmo outro equilibra a igualdade da relação por sua capacidade em conspirar e pensar por sua astúcia, formas de se proteger sua vida e de toda forma de força que busque despossuí-lo de suas posses. Tal condição de igualdade reflete o impasse quando ambos desejam a mesma coisa; já que o “Eu” não pode prever a ação do “outro” a ação mais sensata visando a preservação de sua vida é atacar primeiro, o que ocorre é que este “outro” também é um “Eu”, assim, o que decorre de tal situação, sem um poder maior que regule as relações entre os homens é uma guerra generalizada, isto é, a guerra dos homens contra os homens.

 

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