Nota #6 [10/09/2013]

A primeira pergunta feita por Alain Badiou no início do primeiro capítulo de “São Paulo” ainda persiste para mim: por que São Paulo? Afinal, como o próprio autor admite, o nome de Paulo está ligado às correntes mais conservadoras do cristianismo. Como Paulo pode servir para refundar uma teoria do sujeito me parece no mínimo enigmático; e por que a necessidade de utilizá-lo para sua teoria do sujeito, quando me parece que Badiou já possui uma teoria bem consistente.

Como Paulo pode ter formulado sobre um evento me parece bem confuso ainda; o evento que se trata aqui seria a ressurreição de Cristo? De que modo a teorização de Paulo sobre o cristianismo pode “explorar qual é a lei que pode estruturar um sujeito sem qualquer identidade e suspenso a um” evento? Felizmente, o que importa aqui no caso não parece ser a fábula em si (A ressurreição de Cristo), mas sim a forma. Ainda assim, parece-me que temos de ser cuidadosos em relação à forma (embora o conteúdo que nos interessa diz respeito a algo completamente diferente), pois já temos na história bons exemplos de marxistas que abandonaram o conteúdo religioso, embora permanecessem “formalmente” religiosos, acreditando, por exemplo, na história como uma espécie de Deus. No entanto, Badiou, como bom crítico de marxistas mais clássicos e do socialismo real, parece sempre seguir a rigorosidade necessária para inovar o marxismo. Fiquei curioso em relação às afirmações de que Paulo pode nos servir como um crítico do historicismo e do relativismo que são tão empregados nos dias atuais. Se Paulo tiver todas as respostas que Badiou nos promete, talvez Deus não seja tão mau-caráter e tão materialmente ausente (Pois, afinal, Ele teria alguma relação com a Verdade e com o Evento) assim.

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