Nota #5 [14/01/2014]

Sobre o Partido e a Massa: será distância? 

A massa só quer o seu quinhão. Mas quinhões por quinhões, todos queremos os nossos: a Massa quer o pão-de-cada-dia, julgando-se demasiadamente revolucionária, o Partido quer a revolução, julgando-se estandarte dos efetivos pães-de-cada-dia.

Um chá de Paulo Freire já não nos serve como remédio imediato, desses que o farmacêutico responde prontamente quando citamos nossos males e que quando entregue, logo nos cura. Não. Hoje, o farmacêutico tem dúvida – nós também?

Há uma distância muito grande entre o que queremos e como queremos o que queremos. Uma distância muito maior entre como queremos o que queremos e como faremos. Uma distância absurdamente maior entre o Partido e a Massa. Distância talvez seja a palavra-chave daquilo que diagnosticamos como nosso erro: a gente ama de um lugar excessivamente distante, temendo o verdadeiro envolvimento com a coisa.

Num ritual de casamento protestante, o clérigo faz quase sempre, ao final da cerimônia, quando homem e mulher já estão casados, uma declaração bastante interessante: “pois bem, agora vocês dois são um” ou “agora vocês dois são a mesma carne”. A analogia aqui é bastante óbvia: quando o Partido será a Massa e quando a Massa será o Partido? Não se pode incluir separação: é simultânea a ligação dos corpos. Talvez o problema esteja naquilo que chamamos de namoro. Esse namoro entre o Partido e a Massa precisa incluir o casamento (a visão cristã de namoro diz que o namoro precisa incluir e visar ao casamento). Nesse ponto, precisamos ser excessivamente cristãos e clamar por casamento. Sim, casamento, essa coisa piegas.

Fica uma pergunta aos camaradas: quando é o casório?

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